Bolsonaro diz que pandemia ‘está acabando’ e ironiza pressa de Doria para comprar vacina

Nesta sexta-feira, o presidente classificou Doria como “autoritário” por defender a obrigatoriedade da vacina

Foto: Alan Santos/PR

O presidente Jair Bolsonaro afirmou nesta sexta-feira que a pandemia do novo coronavírus “está acabando” e ironizou a pressa do governador de São Paulo, João Doria, de comprar uma vacina contra a Covid-19. De acordo com Bolsonaro, Doria quer atribuir à vacina algo que já aconteceria sem ela. A doença já mais de 159 mil brasileiros.

“Está acabando a pandemia, acho que ele quer vacinar o pessoal na marra rapidinho, porque vai acabar e ele fala: “acabou por causa da minha vacina”. Tá ok? O que está acabando é o governo dele, com toda certeza”, disse Bolsonaro, em conversa com apoiadores na saída do Palácio da Alvorada.  

O Brasil registrou na quinta-feira 553 novas mortes por Covid-19, segundo o boletim das 20h do consórcio de veículos de imprensa. A média móvel de óbitos ficou em 439. Esse é o oitavo dia seguido com uma média móvel menor do que 500, o que não acontecia desde o início de maio. Isso siginifica que o país passou 167 dias perdendo, em média, mais de 500 brasileiros por dia para a Covid-19. No pico, chegou a mais de mil mortes diárias.

No entanto, a média móvel de casos, que foi de 24.389, voltou a apresentar tendência de alta, pelo terceiro dia seguido. Até terça-feira, o país estava há 83 dias registrando apenas queda ou estabilidade nesse índice.

Nesta sexta-feira, o presidente classificou Doria como “autoritário” por defender a obrigatoriedade da vacina. Bolsonaro criticou o governador por querem aplicar o imunizante sem uma comprovação de eficácia, mas a aplicação da vacina só ocorreria caso ela fosse registrada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) ou outra agência reguladora estrangeira.

“Não quero criticar ninguém lá, mas eu vejo que tem um governador lá um tanto quanto autoritário, até (quer) dar vacina na marra na galera. O que eu vejo na questão da pandemia? Está indo embora. E isso já aconteceu, a gente vê em livros de História. Ele quer acelerar uma vacina agora, falou que ia vacinar os 46 milhões (de paulistas)…Não tem autoridade para isso. No meu entender, é uma arbitrariedade. Eu não sei que adjetivo daria para quem quer na marra, já fala em aplicar uma vacina que ninguém ainda falou que está 100% comprovada cientificamente”.

A vacinação contra o coronavírus está no centro de uma disputa entre Bolsonaro e Doria. Na semanda passada, o ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, anunciou a assinatura de um protocolo de intenções de compra de 46 milhões de doses da vacina da Sinovac, que é produzida em parceria com o Instituto Butantan, vinculado ao governo de São Paulo.

O acordo, contudo, foi desfeito no dia seguinte por Bolsonaro, que chamou o imunizante de “vacina chinesa de João Doria”.

Na segunda-feira, Bolsonaro já havia questionado se não seria “mais fácil e barato” investir em uma cura da Covid-19, e não em uma vacina.

Fonte: Agência O Globo |