Candidato a vice-prefeito de São João de Meriti é gravado recebendo maços de dinheiro de empresário

A Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas e Inquéritos Especiais (Draco), da Polícia Civil do Rio de Janeiro, abriu inquérito para investigar a suposta extorsão praticada por um vereador e candidato a vice-prefeito em São João de Meriti, na Baixada Fluminense, contra um empresário da cidade.

Imagens de vídeo, obtidas pela reportagem mostram Carlos Eduardo do Nascimento Soares, conhecido como Dudu Soares, candidato a vice-prefeito pelo PSD, recebendo maços de dinheiro do empresário.

A afirmação, em depoimento, e as imagens do que aconteceu em 16 de setembro passado foram feitas pelo próprio empresário, que não será identificado porque teme represálias. Ele diz ter pago R$ 20 mil.

Dudu Soares (à esquerda) recebe dinheiro de empresário em São João de Meriti, RJ — Foto: Reprodução
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Ele procurou a polícia e contou que passou a ser ameaçado depois que a empresa da família vendeu respiradores para o município em um contrato emergencial, sem licitação.

Dudu Soares era, até a tarde desta quinta-feira (29), candidato a vice na chapa do policial rodoviário federal e também vereador Charlles Batista da Silva, do Republicanos. Ele pediu afastamento da campanha alegando “ser vítima de uma campanha que tenta sujar sua imagem”. Dudu não explicou o que estaria acontecendo.

Carlos Eduardo do Nascimento Soares, o Dudu Soares, de São João de Meriti, RJ  — Foto: Reprodução
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Charlles se apresenta como candidato da família Bolsonaro, de quem recebe apoio em vídeos na campanha. Há fotos e declarações favoráveis ao candidato feitas pelo senador Flávio Bolsonaro (Republicanos), pelo deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL), e pela mãe deles, Rogéria Bolsonaro, candidata a vereadora no Rio pelo Republicanos.

Na Draco, o empresário apresentou imagens de Dudu Soares na porta de sua empresa gravando vídeos contra o empreendimento acompanhado de um carro da Polícia Militar.

O empresário disse no depoimento na delegacia que, no primeiro contato de um funcionário dele com Dudu Soares, o candidato a vice teria dito que só pararia de perseguir o empresário depois de acertar com com ele e com o candidato a prefeito.

Disse ainda que, depois, no encontro dele com o político, Dudu Soares exigiu o pagamento de R$ 20 mil por semana até o fim da eleição e mais R$ 200 mil no dia da votação para o pagamento de boca de urna.

O empresário contou também que, depois do primeiro pagamento, Dudu disse que ele não precisaria mais se preocupar porque, se a chapa fosse eleita, a empresa seria protegida.

Extorsão praticada pelo candidato

Assim como Dudu Soares, Charlles Batista também é suspeito de extorquir dinheiro de empresários. Em 2014, o Ministério Público Federal abriu uma investigação contra o policial rodoviário federal.

Ele teria apontado uma arma contra um lojista e exigido o pagamento de R$ 800. A investigação está em andamento na Polícia Federal.

O candidato Charlles Batista, do Republicanos, apoiado pelo senador Flávio Bolsonaro, à prefeitura de São João de Meriti — Foto: Reprodução
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Dois dias depois do primeiro pagamento ao candidato a vice-prefeito, no dia 18 de setembro, Dudu Soares voltou à empresa, segundo o empresário, para pegar mais R$ 20 mil. Este foi o último pagamento realizado antes da denúncia à polícia.

No dia 24 deste mês, Charlles Batista criticou a empresa em vídeo de sua campanha eleitoral: “Veja se essa empresa consegue vender respiradores para São João de Meriti”.

O candidato a prefeito Charlles Batista negou qualquer envolvimento com a extorsão negou qualquer envolvimento com a extorsão, se disse decepcionado com o colega de chapa e afirmou que pediu ao vice que renunciasse à candidatura.

Sobre a investigação de extorsão em 2014, Charles disse que vai provar a sua inocência.

A reportagem não conseguiu contato com Dudu Soares.

Por Arthur Guimarães, Leslie Leitão, Marco Antônio Martins e Paulo Renato Soares