Governo do RJ exonera filho de pastor Everaldo dois meses depois da prisão

Dois meses após ser preso por suspeita de corrupção, o assessor especial do gabinete do governador Filipe Pereira, filho do pastor Everaldo, presidente nacional do PSC, deixou o governo esta semana.

Os dois foram presos na operação Tris in Idem, em agosto. Pastor Everaldo continua na cadeia. Filipe foi solto dias depois.

Fontes ouvidas pela reportagem afirmam que Filipe – nomeado por Wilson Witzel – sempre estava presente nas reuniões que o governador afastado fazia sobre a área de saúde.

Segundo o Ministério Público Federal, Everaldo tinha influência nas contratações e participava de um esquema de corrupção nesta e outras áreas.

O filho deixou a cadeia nos primeiros dias de setembro. Passou quase dois meses recebendo os salários sem trabalhar.

Assim que saiu de trás das grades, Filipe Pereira deu entrada em um pedido de férias. Um mês depois continuou sem exercer suas funções. Mas o salário de R$ 14 mil continuou sendo depositado.

Filipe foi exonerado na quinta-feira (29) pelo governador em exercício, Cláudio Castro.

Outro herdeiro

Assim como Filipe Pereira, Felipe Bornier é mais um herdeiro de famílias tradicionais da política fluminense que permanece no cargo mesmo após a saída de Wilson Witzel.

Felipe Bornier assumiu o cargo de secretário estadual de Esportes no primeiro dia da gestão Witzel. Desde que está na função, foi alvo de denúncias da existência de funcionários fantasmas e de contratações suspeitas em sua pasta.

Em uma delas, uma empresa contratada para limpar equipamentos esportivos do Complexo do Maracanã tinha como dono um vendedor de frutas.

O pai, Nelson Bornier, foi apontado pela defesa do próprio governador afastado, Wilson Witzel, como o verdadeiro dono da Organização Social Unir Saúde – peça-chave na investigação que afastou Witzel e revelou contratações suspeitas no governo do RJ.

Desde que assumiu o governo, Cláudio Castro trocou o comando de 14 secretarias. Manteve à frente da pasta de Esportes, um herdeiro da política fluminense.

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