Mulher é presa por desacato ao ir à delegacia de Resende, RJ denunciar agressão do marido

Uma mulher foi presa em flagrante por desacato ao ir à delegacia denunciar as agressões do marido na noite de quinta-feira (22) em Resende.

A Polícia Civil informou que, ao chegar à unidade, Leda Mercia Mota Ribeiro da Silva, de 44 anos, estava “muito alterada”, pois queria prioridade no atendimento.

Segundo os agentes, Leda não foi agredida fisicamente pelo marido. Vídeos que circulam nas redes sociais mostram o homem, de 54 anos, jogando vários móveis no chão e quebrando eletrodomésticos dentro da casa do casal.

A polícia alega que a mulher desacatou os agentes que fizeram o atendimento e atrapalhou o atendimento na delegacia. Por isso, foi dada voz de prisão a ela.

Mulher é presa por desacato ao ir à delegacia de Resende denunciar agressão do marido — Foto: Polícia Civil
Foto: Polícia Civil

“Ontem, infelizmente, um dos flagrantes que nos foi apresentado de violência doméstica, a vítima, muito alterada, acabou causando um verdadeiro tumulto e paralisando os serviços da unidade durante um longo período. A vítima de violência doméstica merece todo acolhimento e o atendimento foi, inclusive, prestado pessoalmente por mim. Mas isso não pode servir de escudo para a prática de outros delitos, principalmente dentro de uma delegacia”, explicou a policial civil, Rachel Mattoso, que participou do atendimento à mulher.

O advogado da defesa da mulher questiona a ação da polícia.

“A Leda foi agredida pelo seu marido. Tanto na agressão patrimonial, quanto na versão física. Tudo isso na frente de suas duas filhas. Toda essa situação gerou um estado emocional bastante abalado. Ela chegou à delegacia extremamente abalada e teve uma discussão com a autoridade policial. Porém essa discussão, ainda que forçando um pouco a barra, seria o crime de desacato. Ela teria desacatado a autoridade policial. A gente teria um crime de menor potencial ofensivo. A Leda deveria ter assinado um termo circunstanciado e ter sido posta em liberdade, se comprometendo a comparecer sempre que chamada. O que houve foi uma manobra jurídica. Tentaram dar uma resposta mais energética para a Leda. E, com isso, violaram o Código Penal. Enquadraram a situação dela no artigo pouco utilizado: que configura delito de perturbação de serviço essencial”, argumenta o advogado Derik Roberto da Silva Rozas.

O esposo de Leda também foi preso. A produção ainda não conseguiu contato com a defesa dele. Nesta sexta-feira (23), após audiência de custódia, ela foi liberada e vai responder o processo em liberdade.