Caso Flordelis: juíza e advogado batem boca em audiência sobre assassinato do pastor Anderson

Um bate-boca entre o advogado de defesa da deputada federal Flordelis e a juíza responsável pelo julgamento do assassinato do pastor Anderson do Carmo marcou a audiência das testemunhas de acusação do caso, realizada nesta sexta-feira (27), na 3ª Vara Criminal de Niterói, Região Metropolitana do Rio.

A juíza Nearis dos Santos Arce e o advogado Anderson Rollemberg se desentenderam quando ele pediu que a testemunha reconhecesse a assinatura de um documento digitalizado que não foi entregue ao juízo com antecedência. A magistrada rejeitou a ideia e criticou a defesa por não enviar o documento a tempo.

Na sequência, os dois discutiram aos gritos. A juíza acusou o advogado de tumultuar a sessão e chegou a chamá-lo de “nervosinho”.

O advogado criticou a juíza, dizendo que não recebeu o mesmo direito de ampla defesa durante a audiência – a segunda do caso.

Flordelis, 7 filhos, uma neta e duas pessoas que não são da família estão entre os réus. Os 11 são acusados de participar do assassinato em junho de 2019, na casa da família em Pendotiba, Niterói. Acusada de ser a mandante do assassinato, a deputada alega inocência (leia mais abaixo).

Dos 11 depoimentos previstos para esta sexta, seis já haviam acontecido por volta de 11h45.

A primeira testemunha ouvida foi Luana Rangel, nora da deputada. Ela confirmou parte da acusação contra a sogra e disse que o pastor sabia do plano para matá-lo.

Por volta das 15h20, começou o depoimento de Regiane Ramos Custi Rabello. Até 16h40, ainda eram esperados os depoimentos de Alexsander Felipe Marcos Mendes e Daniel dos Santos de Souza.

Flordelis no banco dos réus — Foto: Reprodução/GloboNews
Foto: Reprodução

Flordelis reafirma inocência

A deputada federal chegou ao local pouco antes de 9h. Ela, que é acusada de matar o marido, o pastor Anderson do Carmo, reafirmou sua inocência.

“Com certeza. Mais uma vez (vou falar que sou inocente)” , disse.

Flordelis é a única que não está presa porque tem imunidade parlamentar. Há quase dois meses, ela usa tornozeleira eletrônica.

No dia 13, na primeira audiência do caso, a parlamentar chegou atrasada à audiência e levou uma bronca da juíza Nearis dos Santos.

No dia, ao entrar no tribunal, a deputada chorou e negou o crime em uma entrevista:

“Eu não mandei matar meu marido. Jamais faria isso”, disse.

Por André Coelho