Justiça Eleitoral pede à Polícia Federal abertura de inquérito contra Russomanno por calúnia contra Boulos

Advogado de Celso Russomanno (Republicanos) afirma que entrará com representação igual contra o candidato do PSOL na Justiça.

Foto: Montagem

O Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP) solicitou que a Polícia Federal abra uma investigação contra o candidato à Prefeitura de São Paulo Celso Russomanno (Republicanos) por declarações feitas contra o adversário Guilherme Boulos (PSOL) durante a campanha.

A decisão, proferida nesta segunda-feira (9) pelo juiz Emílio Migliano Neto, atende a um pedido do Ministério Público Eleitoral para que seja aberto um inquérito para investigar o possível crime de calúnia eleitoral. Migliano Neto determinou prazo de 30 dias para que as providências sejam tomadas pela autoridade policial.

A campanha de Boulos acionou a Justiça dizendo que Russomanno propagou notícias falsas e fez ofensas à honra ao dizer, durante entrevista a um canal de Youtube e em vídeo publicado em suas redes sociais, que Boulos invadia imóveis e que cobrava aluguel de moradores do Edifício Wilton Paes de Almeida, que desabou após incêndio em 2018.

A campanha cita também a afirmação feita por Russomanno de que Boulos teria usado dinheiro de campanha para “para contratar uma moça para falar mal do Celso Russomanno”, referindo-se a uma caixa de supermercado que havia aparecido em reportagem de programa de TV de Russomanno em 2005.

Procurado pelo G1, o advogado de Russomanno, Arthur Rollo, afirmou que vai “fazer uma representação igual também contra o Boulos, porque ele ofendeu Russomanno, e a prova disso são os inúmeros direitos de resposta que a Justiça Eleitoral concedeu contra ele [Boulos]. Trata-se, quando muito, de retorsão.”

Batalha jurídica

Os candidatos travam uma batalha judicial por críticas mútuas na reta final da campanha. A última pesquisa Ibope, divulgada na segunda-feira (9), mostra que os dois candidatos estão empatados tecnicamente na segunda posição da corrida eleitoral. Segundo o instituto, Covas tem 32%; Boulos, 13%; Russomanno, 12% e França, 10%.

A Justiça já havia determinado em dois processos diferentes de primeira instância que Russomanno retirasse do ar nas redes sociais os vídeos que faziam críticas a Boulos, e também que concedesse direito de resposta pelas publicações contra o candidato do PSOL.

Já Russomanno também teve duas decisões favoráveis em primeira instância concedendo direito de resposta por postagens feitas por Boulos nas redes socais, além de ter conseguido reverter outras duas decisões judiciais na segunda instância, que antes eram favoráveis ao adversário do PSOL.