Inquérito do MPF investiga Ana Paula Valadão após dizer que gays são culpados pela Aids

O Ministério Público Federal (MPF) abriu inquérito para investigar a pastora e cantora gospel Ana Paula Valadão por declarações consideradas homofóbicas. Durante um congresso transmitido na internet e em um canal de televisão, ela disse que relações homoafetivas não são normais e associou a Aids a casais de homens.

Na portaria que abre o inquérito, o MPF disse que a fala caracteriza-se como “discurso de ódio”, restando ao estado o dever de proteger as vítimas e responsabilizar os infratores.

De acordo com o presidente da Comissão Estadual de Diversidade Sexual e Gênero, Alexandre Bahia, a comissão da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e a Defensoria Pública acompanham a situação. Ele informou ainda que o Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) entendeu que o caso deveria ser de âmbito federal e encaminhou para o MPF.

A Igreja Batista da Lagoinha disse em nota que a marca da igreja é ser bíblica e ter como maior referencial a pessoa de Jesus Cristo, que recebia todas as pessoas sem distinção.

“Vemos isso por meio de sua trajetória registrada nos evangelhos, por isso, Ele é o nosso maior exemplo! Como Jesus nos ensina, nossas portas estão abertas para que todas as pessoas participem de nossos cultos de pregação das Sagradas Escrituras”.

A reportagem fez contato com a assessoria da pastora mas, até a última atualização desta reportagem, não havia obtido retorno.

Entenda o caso

A Aliança Nacional LGBTI+ decidiu entrar com um processo na Justiça contra a pastora da Igreja Batista da Lagoinha Ana Paula Valadão. Em um vídeo, que viralizou nas redes sociais, ela disse que a Aids é o castigo para a união entre dois homens. Este é mais um caso de homofobia envolvendo integrantes da igreja.

O comentário que está gerando polêmica foi feito durante um culto, transmitido pela Rede Super, TV ligada à Igreja Batista da Lagoinha de Belo Horizonte, em 2016, mas o vídeo viralizou em setembro.