Número de casos de Aids tem queda no Vale do Paraíba, mas aumento entre jovens preocupa especialistas

Mortalidades de portadores do vírus HIV apresenta queda no Vale do Paraíba, mas profissionais de saúde mostram preocupação com alta entre em faixa etária mais jovem

Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil

A mortalidade de portadores do vírus HIV caiu abruptamente com a evolução do coquetel de remédios, diferentemente das décadas de 1980 e 90, quando o diagnóstico de Aids era uma sentença de morte.

Com isso, ao contrário dos mais velhos, os jovens não têm em seu imaginário as cenas de pacientes cadavéricos e debilitados pelo vírus, que já foi chamado de “praga gay”.

“Não se morre mais de Aids”, é comum ouvir por aí.

Exatamente nessa declaração é que mora o perigo. Ela evidencia uma redução nos cuidados para evitar a contaminação do HIV — que é um vírus–, principalmente em relações sexuais desprotegidas.

“Uma fala que escutamos bastante nos consultórios é que eles [os jovens] querem pegar logo [o vírus HIV] para perder o medo”, conta a médica Tereza Cardozo, chefe da Divisão de Vigilância em Saúde da Prefeitura de São José dos Campos.

VALE DO PARAÍBA.

Dados do Ministério da Saúde mostram que a RMVale teve em 2019 o número mais baixo da série histórica para o total de casos de Aids notificados ao Sinan (Sistema de Informação de Agravos de Notificação), com 142.

O número representa uma queda de 63% na comparação com o ano anterior, quando a região notificou 379 pacientes com Aids, que por sua representaram 3% de crescimento diante do total de 368 notificações de 2017.

Desde 1980, a região acumula um total de 15.782 pessoas com Aids, sendo que 10.172 casos (64%) foram registrados entre 1980 e 2006.

Desde então, a doença vem registrando uma trajetória de queda no Vale, com 517 notificações em 2008, 513 em 2012 e 142 no ano passado.

No entanto, profissionais de saúde que trabalham diretamente com a questão da Aids verificam aumento da transmissão do vírus entre pessoas mais jovens, principalmente homens homossexuais.

“Sabemos que a transmissão de uma maneira geral não está caindo porque as pessoas não se cuidam. A gente está com epidemia de sífilis, e a transmissão é igual. A Aids continua acontecendo”, diz a médica de São José dos Campos.

“O público que vemos que mais adquire o HIV são homens jovens homossexuais. A prevalência é maior nesse grupo, com maior contaminação. Eles não viveram naquela época em que muita gente morria de Aids e agora se começa o tratamento e não tem tantos problemas. Mas isso é enganoso. Aids não tem cura.”

A maior cidade do Vale registrou o primeiro caso de infecção pelo HIV em 1984. Desde então, foram diagnosticados 3.692 pacientes com HIV e 4.293 pacientes com Aids. De 2015 até 30 de novembro de 2020, foram 818 com HIV e 467 casos de Aids.

Cidades fazem campanhas de detecção precoce para barrar contágio por HIV

Campanhas e testes são usados para barrar o vírus HIV. Diagnóstico precoce e o tratamento fazem a carga viral do soropositivo torna-se indetectável. “Acreditamos que algumas ações, como a testagem, são fundamentais para reduzir o número de casos”, disse Daniele Sumire, coordenadora do AMI (Ambulatório Municipal de Infectologia) de Taubaté.

Fonte: O Vale