Ex-gerente de OS suspeita de gerar dano de R$ 1,2 milhão aos cofres públicos é nomeada para fiscalizar contratos na Prefeitura do Rio

A nova responsável por fiscalizar contratos do município do Rio com as organizações sociais (OSs) era gerente da OS Cejam, que é suspeita de gerar danos aos cofres públicos de mais de R$ 1,2 milhão, segundo uma investigação do Tribunal de Contas do Município (TCM).

Kamila Coelho Conde foi nomeada coordenadora da Coordenação de Demandas Institucionais, subordinada à Coordenadoria Técnica de Convênios e Contratos de Gestão com Organizações Sociais.

Foto: Reprodução

Na OS Cejam, a gerente era responsável pela gestão administrativa-financeira e pelo cumprimento de metas quantitativas e qualitativas definidas em contrato com a Secretaria Municipal de Saúde (SMS).

Em fevereiro do ano passado, a SMS criou uma comissão para apurar danos aos cofres públicos e obter ressarcimento da Cejam, que administra o Hospital Evandro Freire, na Ilha do Governador, e a Coordenadoria de Emergência Regional (CER) da Ilha.

A SMS informou que Kamila Conde é advogada e que não há qualquer investigação de irregularidades contra a profissional. Ao ser nomeada, ainda segundo a pasta, a profissional apresentou toda a documentação exigida para o cargo, incluindo as certidões negativas dos órgãos de controle.

Segundo a reportagem a OS utilizou dinheiro do contrato do Evandro Freire — sem autorização do município — para desmobilizar a estrutura ao deixar a gestão da CER do Centro, o que é ilegal. Na sindicância que apura suposta irregularidade, Kamila prestou depoimento.

Há ainda uma outra investigação no TCM após uma fiscalização feita pelo vereador Paulo Pinheiro (PSOL), presidente da comissão de Saúde da Câmara Municipal.

A Cejam é suspeita de pagar com dinheiro público despesas consideradas irregulares, como gastos na churrascaria Fogo de Chão, táxis e passagens aéreas, entre abril de 2012 e março de 2014. Nessa época, ela era gerente da Cejam.

Na nova função, Kamila Conde cuidará exatamente da investigação aberta pela SMS para apurar irregularidades cometidas na prestação de contas da Cejam na época em que estava à frente da gerência da OS.

Por Pedro Figueiredo