Maia afirma que conduta de Eduardo Pazuello é criminosa

Tratamento precoce e não resposta a Pfizer são citados como crimes supostamente cometidos pelo ministro da Saúde

Na imagem, Rodrigo Maia durante sessão
MARYANNA OLIVEIRA/CÂMARA DOS DEPUTADOS 17.122020

O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), afirmou, nesta segunda-feira (25), ser criminosa a conduta do ministro da Saúde, general Eduardo Pazuello, diante da pandemia da covid-19.

“Eu tenho defendido a CPI da Saúde, porque se nós tivéssemos a prerrogativa, por exemplo, de impedimento de ministro, que não é nossa prerrogativa. A nossa prerrogativa de impedimento de ministro é só conectada ao presidente da República. Mas em relação ao ministro da Saúde não tenho dúvida que já tem crime. Pelo menos o ministro da Saúde já cometeu crime”, afirmou.

“A irresponsabilidade dele de tratamento precoce, a irresponsabilidade de não ter respondido a Pfizer, a irresponsabilidade dele, como ministro da saúde, de não ter se aliado ao Instituto Butantan para acelerar a produção daquela vacina, e não somente a vacina da Fiocruz”, acrescenta.

No último sábado (23), o PGR (Procurador-Geral da República), Augusto Aras, solicitou ao STF (Supremo Tribunal Federal) a abertura de inquérito para apurar a conduta de Pazuello, em relação ao colapso de saúde pública em Manaus (AM), que registrou falta de oxigênio em unidades hospitalares e pacientes, com covid-19, morreram asfixiados.

Em relação à Pfizer, a farmacêutica divulgou, no dia 8, que encaminhou no ano passado três propostas ao governo brasileiro para vender 70 milhões de doses, com previsão de início de entrega em dezembro do ano passado. Cerca de 25 dias depois, o Ministério da Saúde afirmou que a oferta de vacinas incluía cláusulas abusivas e que causaria frustração à população, em razão da pequena quantidade. Segundo o governo, as doses iniciais oferecidas ao Brasil seriam mais uma “conquista de marketing”.

A reportagem questionou o Ministério da Saúde sobre o episódio, mas a pasta afirmou que não irá comentar.

Eleição
A eleição para a presidência da Câmara dos Deputados irá ocorrer em 1º de fevereiro. Os dois principais candidatos – Arthur Lira (PP-AL), apoiado pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido), e Baleia Rossi (MDB-SP), nome do bloco de Maia – têm intensificado a articulação política em torno de suas candidaturas e apostado nas traições de parlamentares, uma vez que o pleito é secreto. 

Com a formalização da adesão do PSL na candidatura de Lira, o nome apoiado por Bolsonaro conquistou número maior de políticos que seu principal opositor. Na coletiva de imprensa, Maia negou que Rossi esteja “perdendo”. 

“Nossas convicções caminham para o segundo turno e vamos ter uma margem grande, no segundo turno, e teremos maioria dos votos. A partir de hoje, pelas nossas projeções, o Baleia passa a ser o favorito. Na casa dos 230 votos, com Arthur caindo pra abaixo de 200”, disse. 

Maia voltou a criticar o sistema presencial para a eleição. No último dia 18, a Mesa Diretora decidiu que o pleito será em pessoa, inclusive para parlamentares do grupo de risco à covid-19. “Eu continuo afirmando que os deputados, pelo menos os parlamentares que estão no grupo de risco, de tentar fazer um movimento junto líderes partidários para mostrar que essa é uma decisão que não parece a mais adequada”, disse.

O presidente da Câmara considera que, se mudasse alguma regra da eleição, seria impossível a realização de um sisema híbrido. “Até porque a Câmara não pode por suposição à secretária-geral preparar um sistema diferente daquele aprovado pela Mesa, e teríamos um tempo muito curto, não sei se teríamos condição no dia 1º ter um sistema híbrido.”

Por Plínio Aguiar