Estoque de medicamentos para intubação de pacientes na UTI está em níveis críticos em São Sebastião

O prefeito de São Sebastião, Felipe Augusto (PSDB), afirmou neste sábado (20) que o estoque de medicamentos para intubação dos pacientes na UTI está no limite crítico. Segundo ele, o estoque atual dura no máximo até segunda-feira e pacientes com Covid-19 que necessitarem do procedimento já estão sendo transferidos.

“Este fim de semana é o nosso deadline, último momento dos nossos estoques. Existem pacientes que consomem mais medicamentos e outros menos, de acordo com o peso e condição. O estoque chega ao fim entre domingo e segunda-feira. Novos pacientes com necessidade de intubação já estamos encaminhando ao Hospital Regional [de Caraguatatuba]”, disse a reportagem.

Neste sábado, São Sebastião, que já chegou a atingir 100% de ocupação nos leitos de UTI, tinha 16 pacientes internados em terapia intensiva, sendo que nove estavam intubados. Felipe Augusto afirmou que a administração busca os insumos necessários para repor, mas não conseguiu encontrar no mercado até o momento .

“Já consultamos mais de 40 fornecedores, estamos avisando as autoridades do Estado, do governo federal, informamos o Ministério da Saúde que nossos estoques estavam chegando a um nível extremamente crítico”, disse.

Estoque de medicamentos para intubação de pacientes na UTI está em níveis críticos em São Sebastião — Foto: Facebook/Reprodução
Foto: Facebook/Reprodução

O tucano afirmou ainda que a cidade tinha um estoque conforme a demanda, mas houve uma aceleração muito grande de casos na cidade.

“Nos último dez dias tivemos uma aceleração absurda. Muito mais gente chegando em estado grave e, claro, de acordo com cada paciente o consumo desses sedativos pode ser muito maior. Temos uma aceleração da pandemia, aceleração dos casos graves e, por isso, a medicação acabou muito rápido”, justificou.

Procurada pela reportagem, a Secretaria Estadual de Saúde informou que vem cobrando o governo federal por medidas “expressas e urgentes” para abastecer a rede pública de saúde com medicamentos para intubação.

Disse ainda que o estado tem estoque estimado para uma semana para os hospitais públicos que atendem casos de Covid. E que por isso é fundamental que os gestores dos serviços de saúde mantenham o monitoramento da demanda.

O Governo Federal foi acionado, mas não retornou até a publicação da reportagem.

Quarentena

Na entrevista ao Link Vanguarda, o prefeito Felipe Augusto afirmou que as medidas restritivas estão sendo reavaliadas e fez um apelo para que os turistas não visitem a cidade.

“Estamos fazendo um apelo também para que as pessoas da capital [paulista] não venham ao litoral nesse megaferiado para não aumentar o contágio e preservar sua própria vida”, disse.

São Sebastião inclui barbearias e lojas de construção entre atividades essenciais — Foto: Prefeitura de São Sebastião/Divulgação
 Foto: Prefeitura de São Sebastião/Divulgação

São Sebastião aderiu à fase emergencial, mas flexibilizou alguns pontos. Estabelecimentos como salões de beleza, barbearias e lojas de materiais de construção são consideradas como serviços essenciais – o que vai na contramão das definições feitas pelo governador João Doria (PSDB).

Na cidade a prefeitura também liberou restaurantes para operar em delivery (das 5h às 23h59), drive-thru (5h às 20h) e na modalidade take away (retirada, das 5h às 20h) – esta última também é proibida pela fase emergencial do Plano SP.

Os estabelecimentos considerados essenciais devem: cumprir o protocolo de uso de máscara facial por todos no ambiente, aferir a temperatura dos consumidores na entrada e fazer a higienização de superfícies e pontos de contato com as mãos de usuários (como, corrimão e máquinas de cartão).

Eles devem ainda disponibilizar álcool em gel 70%, colocar distância mínima de 1,5 metro em filas e respeitar o limite de até 40% da capacidade. Caixas e guichês devem ter proteção de policarbonato ou vidro e os ambientes devem ser mantidos arejados.

Para os estabelecimentos que não estão entre os essenciais na categorização do governo estadual, mas que estão permitidos a abrir pelo decreto municipal, a prefeitura de São Sebastião define regras específicas:

  • As lojas de materiais de construção deverão realizar atendimento individualizado com um consumidor por vez;
  • Os salões de beleza e barbearias deverão realizar atendimento com hora marcada, podendo permanecer no estabelecimento comercial apenas um profissional e um cliente por vez

Praias

O decreto proíbe o uso de praias, parques e espaços coletivos. Ficam proibidas as instalações de mesas, cadeiras, guarda-sóis, tendas, esteiras, caixa de som, coolers e similares que estimulem a aglomeração de pessoas nas praias. Elas só estarão abertas para a prática individual de esportes.

O decreto ainda recomenda que:

  • atividades religiosas, como missas e cultos, sejam realizadas de formas não presenciais, podendo espaços religiosos permanecerem abertos para manifestações individuais;
  • seja feito o escalonamento do horário de entrada e saída de funcionários do comércio e de prestadores de serviços essenciais a fim de evitar aglomerações no transporte público;
  • Haja redução das aulas presenciais nas escolas particulares, devendo ser respeitadas as normas sanitárias de combate da Covid e o distanciamento social;
  • A não utilização de áreas comuns de condomínios como piscina, quadras de esportes, salões de festas, parques e playground.
  • seja adotado o trabalho remoto (home office) para todas as atividades administrativas municipais não essenciais, bem como escritórios particulares e serviços de call center;

De acordo com o decreto, as determinações não se aplicam aos serviços públicos essenciais como saúde, segurança, defesa civil municipal, assistência social, fiscalização, limpeza urbana e o atendimento no Agiliza São Sebastião.

Embate

Desde o início do ano, a prefeitura tem flexibilizado as medidas restritivas anunciadas pelo governo estadual. Em fevereiro, quando o Vale estava em fase vermelha com os comércios fechados, a cidade liberou as atividades comerciais alegando que os números na pandemia permitiam a flexibilização.

Em dezembro, no auge da temporada de turismo, quando o Estado restringiu as atividades comerciais no Natal e Ano Novo a prefeitura também decidiu não acatar as restrições.