Mãe e padrasto de criança morta após ser agredida por fazer xixi na cama vão a júri popular em Poços de Caldas

O casal suspeito da morte da menina Ana Lívia Lopes da Silva vai a júri popular nesta quinta-feira (4) em Poços de Caldas (MG). A menina de 3 anos morreu após ser agredida por ter feito xixi na cama.

O júri teve início no período da manhã e não tem previsão para término. Ele está sendo realizado no centro de eventos do Cenacon, por causa da pandemia.

Segundo a promotora Luz Maria Romanelli de Castro, o casal é acusado de homicídio quadruplamente qualificado, são elas: tortura e meio cruel, recurso que dificultou a defesa da vítima, feminicídio e motivo fútil.

“O réu está sendo acusado pela ação, ele que efetivamente agrediu a criança. A mãe por omissão, porque ela tem o dever legar de cuidar e poderia ter socorrido a criança ou tentado impedir a agressão, que causou a morte. Eles não prestaram nenhum socorro para a criança”, afirmou a promotora.

Os réus estão sendo representados pela Defensoria Pública e por advogados contratados. O defensor público responde em nome do padrasto e um grupo de advogados é responsável pela defesa da mãe da criança.

Criança de 3 anos morre após ser agredida por padrasto em Poços de Caldas — Foto: Reprodução Facebook
Foto: Reprodução

“A Defensoria Pública tem o papel de garantidora de direitos. Em momento algum ela vem exercer uma defesa da impunidade. A defesa vai ser feita com base naquilo que constam nos autos e vamos buscar os direitos que todos os cidadãos tem, um julgamento justo”, explicou o defensor, Adhemar Della Torre Netto.

“É um crime de grande comoção, um crime bárbaro, mas os advogados estão aqui para defender o direito. Em nenhum momento a gente está aqui compactuando, concordando ou vindo buscar inocência e pregando a impunidade”, afirmou a advogada da ré, Karla Felisberto dos Reis.

O caso

A morte aconteceu no dia 15 de junho de 2018, na Santa Casa de Poços de Caldas. O padrasto da menina tem 27 anos e teria confessado as agressões. Segundo a polícia, a mãe, de 19 anos, também foi levada à delegacia acusada de omissão.

Ainda conforme a Polícia Militar, as agressões começaram no dia 14, quando a menina teria urinado na roupa e na cama. A criança foi colocada de castigo e novamente agredida quando saiu do local. Ela teve sangramento no nariz.

Durante a noite, a menina teria sido vítima de agressão mais uma vez. Ao longo do dia, a criança apresentou sinais de convulsão e só então foi levada ao Hospital Margarita Moralles pela tia e avó, que são vizinhas do casal.

A menina estava desacordada, com dificuldade para respirar, inchaço e sinais de agressão pelo corpo. Em seguida, por conta da gravidade dos ferimentos, foi transferida para a Santa Casa da cidade, onde faleceu.

O padrasto foi preso em casa. O casal preso foi transferido para o presídio de Piumhi, no Centro-Oeste de Minas Gerais, no dia 20 de julho de 2018.

A creche onde Ana Lívia estudava já havia denunciado os pais da criança ao Conselho Tutelar por maus-tratos no dia 22 de maio de 2018.