Prefeito de Volta Redonda afirma que investimento em hospitais alugados deixou cidade vulnerável para enfrentar a pandemia

O prefeito Antonio Francisco Neto afirmou que trabalha de maneira ininterrupta para conseguir aumentar o número de leitos CTI disponíveis na rede municipal de saúde.

Neto destacou que o trabalho começou antes mesmo de tomar posse, em novembro do ano passado, ao perceber que os leitos até então abertos na gestão passada estavam sendo todos fechados.

O prefeito apontou que hoje está claro que o investimento feito no Hospital de Campanha e no Hospital do Idoso se mostrou estrategicamente errado a médio e longo prazo, tornando a cidade vulnerável.

“O Hospital de Campanha montado no Estádio da Cidadania custou R$ 1.6 milhão e foi útil em algum momento, mas proporcionalmente ao que foi investido se mostrou um desperdício de recursos e esforços. Como praticamente toda a estrutura foi alugada, não ficou nada de legado para a população após a desmobilização”, disse Neto.

Neto destacou que o mesmo se repetiu com a montagem e desmobilização do então Hospital do Idoso.

“Esse foi outra ação inexplicável do ponto de vista estratégico. Em novembro, retomamos as obras no anexo do Hospital do Retiro com apoio da sociedade. O que gastaram em aluguel neste Hospital do Idoso, teria terminado aquela obra e ainda equipado os leitos. Alugaram um prédio particular, desmobilizaram e de legado ficou uma dívida de aluguel. Nenhum leito de legado, só dívidas com os empresários donos do prédio que foi alugado”, afirmou o prefeito.

Sobre o antigo Hospital Santa Margarida, Neto afirmou que a unidade nunca abrigou os chamados “leitos de retaguarda”, como chegou a ser anunciado. “Isso nunca existiu. O Santa Margarida não pode comportar leitos da maneira como nos foi entregue. Está lá para quem quiser ver. Muito mal, serve para abrigar algumas atividades administrativas”.

Comparação com vizinhos

Neto afirmou que os gastos feitos em Volta Redonda na pandemia deveriam ter seguido os rumos do que foi feito em Barra Mansa e Resende, por exemplo. O prefeito ainda destacou que Volta Redonda foi a cidade da região que mais recebeu recursos do Ministério da Saúde e do Governo do Estado para enfrentar a pandemia. Foram cerca de R$ 80 milhões liberados para a cidade, dinheiro todo usado ao longo do ano passado.

“Em Barra Mansa, o prefeito abriu leitos na Santa Casa, na policlínica da Região Leste, no Hospital da Mulher, na UPA. Em Resende, vimos investimentos na Santa Casa, no Hospital de Emergência e nas unidades intermediárias, como a UPA. Os leitos estão lá até hoje. Ficaram e ficarão de legado para a população. Posso dizer que em questão de abertura de leitos na pandemia, Volta Redonda recebeu muito mais que as outras cidades e está um ano atrás de Barra Mansa e Resende”, disse Neto.

Situação nacional também influencia

Além de ter herdado a cidade sem novos leitos depois do primeiro ano da pandemia, Neto ressaltou que o Brasil de uma maneira geral está passando seu pior momento no enfrentamento à Covid-19. A crise atual, segundo ele, tem influenciado diretamente nas dificuldades que Volta Redonda tem enfrentado.

“Esse momento crítico do país  tem reflexo direto na nossa situação. Estamos com as obras do anexo do Hospital do Retiro prontas, graças ao empenho da CDL-VR, da Aciap-VR, do Sicomercio-VR, de empresários, comerciantes, pessoas físicas, igrejas. Só que não tem equipamento disponível no mercado. Há um colapso quase que total da rede pública e a procura por equipamentos tomou proporções jamais vistas. Quem investiu em leitos fixos no ano passado, como Barra Mansa e Resende, está hoje em situação melhor que nós. Como já disse, estamos um ano atrás”, apontou.

Parceria com a rede privada e Hospital Regional

Nos últimos dias, a cidade de Volta Redonda chegou a ter praticamente todos os leitos de UTI disponíveis para pacientes com a Covid-19 na rede pública municipal ocupados. A solução imediata foi solicitar o aumento da oferta de leitos no Hospital Regional e fazer parcerias com a rede hospitalar privada. “São ações emergenciais para o momento. Temos de cobrir esse buraco na falta de leitos e buscar abrir vagas permanentes na nossa rede. E temos de fazer isso ao mesmo tempo em que buscamos colocar os salários dos servidores em dia, contratar mais médicos, pagar fornecedores, administrar o fim da intervenção no Hospital São João Batista. Infelizmente, esse é o quadro atual, que só será vencido com muito trabalho e dedicação”, finalizou Neto.

Samuca responde 

O ex-prefeito Samuca Silva respondeu as críticas do prefeito Neto sobre o seu governo. Segundo Samuca, “o momento é de união, não de ataques”.

-Meus sentimentos a todos os familiares e conhecidos que perderam alguém. Tanto o hospital do idoso quanto o de campanha tinham leitos disponíveis, foram utilizados e ajudaram a separar pacientes com Covid-19 do restante da rede. Quando controlamos o vírus e os números melhoraram, desativamos. Sobre os leitos do Santa Margarida nunca foram utilizados para Covid-19 e a estratégia era em 2021 serem utilizados na nossa rede” disse Samuca.

E completou: “Desejo, sinceramente, que esta crise de saúde e econômica que estamos vivendo, e desde 2020, possa passar rápido para que possamos voltar a viver e sonhar. Desejo também aos gestores que adotem medidas que possam proteger nossa gente”.