Alberto Fernández, presidente da Argentina, dá resposta a Bolsonaro sobre papel dos militares na pandemia

Jair Bolsonaro publicou um post curto em seus perfis em redes sociais em que afirmou que o exército argentino estará nas ruas do país para ‘manter o povo em casa’. O presidente da Argentina afirmou que não pediu às Forças Armadas para fazerem segurança interna, mas, sim, dar apoio às pessoas.

Foto: Esteban Collazo/AFP

O presidente da Argentina, Alberto Fernández, respondeu nesta quinta-feira (15) a uma postagem que Jair Bolsonaro fem em suas redes sociais.

Em um tuíte, o brasileiro escreveu: “- Exército Argentino nas ruas para manter o povo em casa./- Toque de recolher entre 20h e 08h./- Bom dia a todos.”

Minutos após a publicação, Fernández que dava uma entrevista à Radio 10 de Buenos Aires esclareceu que os militares desempenham um papel de apoio na pandemia de coronavírus na Argentina.

“É preciso explicar para ele [Bolsonaro] um pouco de como funciona a Constituição”, disse Fernández. “Em primeiro lugar, na Argentina, não tem toque de recolher. Um segundo ponto: na Argentina as Forças Armadas não fazem a segurança interna.”

O presidente argentino considerou “impactante que Bolsonaro diga uma coisa assim”.

“São oficiais que fizeram a carreira na democracia, defendem as instituições e a partir deste espaço têm colaborado de modo magnífico na pandemia, levando assistência a locais de maior vulnerabilidade”, disse Fernández.

Novas medidas na Argentina

Na quarta-feira à noite, o governo argentino anunciou novas medidas de restrição à circulação de pessoas para frear uma segunda onda de coronavírus no país.

Sobre o papel das Forças Armadas, Fernández disse que “pedi que me ajudassem a montar postos de saúde para tornar os exames mais rápidos”.

“O exército tem médicos e enfermeiros muito qualificados, e foi isto que pedi. Eu não declarei estado de sítio, nem penso em fazer, e as Forças Armadas não fazem segurança interna, estão aí para fazer o que fazem muito bem que é, em situações de catástrofe, dar apoio às pessoas”, completou.

Fernández decidiu proibir a circulação entre 20h e 6h a partir de sexta-feira na área metropolitana de Buenos Aires e autorizou a Polícia Federal a supervisionar o cumprimento da medida.

A Argentina enfrenta uma aceleração de contágios, com quase 25 mil novos casos na quarta-feira, e os especialistas advertem que o sistema hospitalar está perto do limite.

Com 45 milhões de habitantes, a Argentina acumula 2,6 milhões de casos e 58.542 mortes desde o início da pandemia de Covid-19.