Decisão que afasta Celão foca mais seis servidores da Câmara de Guaratinguetá, SP

Justiça acata relatório da “Overcharge”, afasta vereador e proíbe acesso de envolvidos ao Legislativo de Guará; Seccold rastreia contratos

O vereador Marcelo Coutinho, o Celão, que teve ordem de afastamento da Câmara nesta sexta-feira (Foto: Leandro Oliveira)

Em nota divulgada na noite da última sexta-feira (23), o Seccold (Setor Especializado no Combate a Corrupção, Organização Criminosa e Lavagem de Dinheiro) da Seccional da Polícia Civil de Guaratinguetá revelou que o inquérito sobre a denúncia de crimes licitatórios, de corrupção passiva e ativa, falsidade ideológica e organização criminosa contra grupo que atuou na Câmara Municipal foi acatado pela Justiça. Um dos principais denunciados na operação batizada “Overcharge”, o vereador Marcelo Coutinho, o Celão (PSD), teve pedido para afastamento das atividades do Legislativo.

Celão era o presidente da Casa no período investigado pela Seccold, que apurou por meio de documentos, testemunhos, imagens de gravação, dados extraídos de dispositivos eletrônicos, relatório técnico do Tribunal de Contas do Estado de São Paulo e confissão de um dos investigados. O relatório policial, realizado após denúncia do Ministério Público, aponta “…crimes graves, como, por exemplo, o recebimento de ‘propina’ (valores indevidos) pelo então presidente da Câmara de Guaratinguetá, no valor de R$ 15 mil, pagos mensalmente por empresário favorecido em contratações por procedimentos ilegais de dispensa de licitação, mediante direcionamento, conluio de empresas, falsidades documentais e superfaturamento de preços de serviços… (trecho da nota)”.

O documento foi recebido pelo Poder Judiciário na última quinta-feira (22). A decisão judicial, ainda segundo texto da Seccold, determinou o “… levantamento do sigilo dos autos principais, tornando-o público”. A Justiça acatou a representação formulada pela investigação para decretar o afastamento do ex-presidente da Câmara, que exerce mandato de vereador após reeleição em novembro de 2020, com 1.624 votos. Celão foi o terceiro candidato mais votado, atrás apenas de Dani Dias e Márcio Almeida, ambos do PSC.

A decisão judicial determinou também o afastamento de outros seis servidores da Câmara e a proibição dos denunciados de acessarem as dependências da Casa. Outra medida foi o sequestro de bens, em R$ 801.723, valor estimado e atualizado do prejuízo aos cofres do Legislativo, efetivado pelo esquema investigado.

Em novembro, a Overcharge já havia levado à prisão de dois investigados e rastreado documentações em seis endereços pela cidade, entre eles, a própria Câmara de Guaratinguetá.

Por Jornal Atos