Recém-empossado como ministro da Justiça, Anderson Torres troca diretor-geral da Polícia Federal

Paulo Maiurino substituirá Rolando de Souza, que estava no cargo desde maio do ano passado. Troca no comando da PF em 2020 gerou crise no governo que resultou na saída de Sérgio Moro.

O recém-empossado ministro da Justiça, Anderson Torres, anunciou nesta terça-feira (6) em uma rede social o delegado Paulo Maiurino como novo diretor-geral da Polícia Federal.

Maiurino substituirá Rolando de Souza, que estava no cargo desde maio do ano passado. Ele será o terceiro diretor-geral da PF desde o início do governo Jair Bolsonaro.

O novo chefe da corporação chegou a ser cotado para o cargo no ano passado, depois que o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, determinou a suspensão da nomeação de Alexandre Ramagem para o posto.

Maiurino será subordinado a Anderson Torres, que tomou posse na manhã desta terça em cerimônia no Palácio do Planalto. Durante a posse, referindo-se às polícias Federal e Rodoviária Federal, o presidente Jair Bolsonaro disse que “mudanças são naturais”. A declaração antecipou a informação de que haveria troca no comando das duas corporações.

Na tarde desta terça, ao anunciar a troca, Torres escreveu em uma rede social: “Agradeço ao Dr. Rolando Souza pelo período em que esteve à frente da Direção-Geral da @policiafederal. Iniciamos hoje o processo de transição do cargo para o Dr. Paulo Maiurino, a quem desejo felicidades nessa importante função no @JusticaGovBR.”

Em seguida, também em rede social, Torres anunciou Silvinei Vasques como novo diretor-geral da Polícia Rodoviária Federal (PRF). Vasques era até então superindente da instituição no Rio de Janeiro. Segundo seu currículo na plataforma Lattes, Vasques é inspetor da PRF desde 1995.

Segundo perfil na página do próprio Maiurino em uma rede social, o novo diretor-geral da PF trabalha como assessor especial de Segurança Institucional do Conselho da Justiça Federal (CJF) e atuou até setembro do ano passado como secretário de Segurança do Supremo Tribunal Federal (STF). Também atuou no governo estadual de São Paulo como subsecretário de Segurança Pública (2018) e secretário de Estado (2016-2018).

De acordo com o perfil, Maiurino é delegado desde 1998, chefiou a Interpol no Brasil (2009-2010), trabalhou como assessor de Relações Internacionais da Polícia Federal (2008-2009) e chefiou os departamentos de Organização e Métodos da Diretoria de Administração e Logística da PF; Planejamento e Controle; e a delegacia da PF no Chuí (RS).

Crise no governo

A troca no comando da Polícia Federal no ano passado gerou uma crise no governo, que resultou na demissão do então ministro da Justiça, Sérgio Moro, em abril.

Na ocasião, Moro deixou o cargo argumentando que Bolsonaro havia tentado interferir na PF ao demitir o então diretor-geral da corporação, Mauricio Valeixo, escolhido pelo ministro. Bolsonaro nega a acusação.

Após demitir Valeixo, Bolsonaro nomeou Alexandre Ramagem, diretor-geral da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) que atuou como segurança do presidente e é amigo da família Bolsonaro.

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), no entanto, barrou a nomeação de Ramagem para o cargo. Na ocasião, Moraes atendeu a um pedido do PDT e entendeu que houve desvio de finalidade na nomeação.

Bolsonaro, à época, disse que a decisão de Moraes havia sido “política” e nomeou Rolando de Souza como novo diretor-geral da PF.

As acusações de Moro resultaram na abertura de um inquérito no STF, autorizado pelo então ministro Celso de Mello, que atendeu a um pedido do procurador-geral da República, Augusto Aras.

Mudança da PF no Rio

Em depoimento à Polícia Federal, Moro disse que, antes de ter demitido Valeixo, Bolsonaro exigia a troca no comando da PF no Rio.

O ex-ministro da Justiça usa como exemplo uma fala do presidente da República na reunião ministerial de 22 de abril de 2020. Na reunião, Bolsonaro afirmou:

“É a putaria o tempo todo para me atingir, mexendo com a minha família. Já tentei trocar gente da segurança nossa no Rio de Janeiro, oficialmente, e não consegui! E isso acabou. Eu não vou esperar foder a minha família toda, de sacanagem, ou amigos meus, porque eu não posso trocar alguém da segurança na ponta da linha que pertence a estrutura nossa. Vai trocar! Se não puder trocar, troca o chefe dele! Não pode trocar o chefe dele? Troca o ministro! E ponto final! Não estamos aqui pra brincadeira.”

Bolsonaro afirma que, ao mencionar “segurança nossa no Rio de Janeiro”, se referia à segurança dele e de sua família, cuja responsabilidade é do Gabinete de Segurança Institucional (GSI).

A versão, contudo, foi colocada em xeque. Antes da reunião ministerial, Bolsonaro promoveu o responsável pela segurança e também promoveu o número dois da diretoria.