Para achar padrasto foragido, pai de Joaquim investe em anúncios na web

Gabriela Castilho – O pai do menino Joaquim Ponte Marques, que foi morto em 2013, em Ribeirão Preto (SP), diz ter investido R$ 2 mil em anúncios no Facebook em busca de informações sobre o técnico em TI Guilherme Longo, padrasto do garoto e principal suspeito do crime, que está foragido desde setembro do ano passado.


Produtor de eventos na capital paulista, Arthur Paes afirma que a Polícia Civil está “parada” e não tem procurado pelo suposto assassino do filho. No último dia 13, Paes já havia viajado de São Paulo a Ribeirão para pressionar as autoridades e cobrar investigações sobre o caso.

“Não sou obrigado a fazer isso, porque eu tenho o direito de receber uma resposta do Estado, e não recebo. É o assassinato de uma criança de três anos, como se tivesse sido a coisa mais natural do mundo. Eu não durmo, simplesmente não durmo”, desabafa.

Longo foi preso em janeiro de 2014, um mês após o crime. Em fevereiro do ano passado, obteve a liberdade provisória e passou a morar na casa dos pais, no Jardim Independência, zona norte de Ribeirão, mas desapareceu do local em 23 de setembro.
Desde então, Paes tem investido em várias medidas para encontrar o suposto assassino do filho. Uma delas foi a criação de uma página no Facebook para receber denúncias.
O pai do menino diz que tem pago anúncios na rede social por R$ 10 e R$ 50, direcionados à região de Ribeirão Preto, de Palmas (TO), onde vivem parentes de Longo, e de cidades na divisa do Brasil com o Paraguai. As propagandas têm alcance de 500 mil visualizações.
“Eu tenho recebido muitas informações, denúncias, e repasso para a Polícia Civil. Inclusive, algumas já estão sendo investigadas. Esse retorno me traz um pouco de alívio, porque estou agindo com as minhas próprias forças. Não posso ficar esperando. Quero justiça”, disse.
Pedido de justiça
Há três meses, o produtor de eventos arrecadou R$ 9 mil doados por amigos para instalar seis outdoors em cidades na região de Ribeirão. O material continha a foto de Longo e os telefones do “Disque Denúncia”.

Paes afirma que esse tipo de divulgação é mais impactante e tem resultado maior. Porém, diz que não tem condições financeiras de manter os outdoors nas ruas, além de custear as despesas de viagem da capital para Ribeirão, periodicamente.

“Percebi que a polícia só começa a trabalhar quando estou em Ribeirão, mas, depois, para de novo. Até parece que não tem meios para localizar esse cara. É revoltante não ter uma notícia em quatro meses. Eles não estão procurando, estão esperando cair no colo”, afirmou.

O caso


O corpo de Joaquim foi encontrado no Rio Pardo, em Barretos (SP), em novembro de 2013, cinco dias após o menino desaparecer da casa onde morava com a mãe, o padrasto e o irmão, no Jardim Independência, em Ribeirão.
A Polícia Civil concluiu que o padrasto matou o menino, que sofria de diabetes, com uma alta dose de insulina, e jogou o corpo em um córrego próximo à residência da família. Longo foi indiciado por homicídio triplamente qualificado.

Um laudo do Instituto Médico Legal (IML) emitido na época da morte do garoto apontou ausência de água no organismo, o que descartaria a suspeita de afogamento, mas não identificou outras substâncias.

Em liberdade, a mãe do menino, Natália Ponte, é acusada de ter sido omissa em relação à segurança do filho, por saber que Longo era agressivo e havia voltado a usar drogas na época da morte do garoto.
Preso em Tremembé (SP) desde janeiro de 2014, Longo obteve um habeas corpus na 1ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP), que considerou excessivo o prazo do processo.

Todas as testemunhas do caso já foram ouvidas pela Justiça, que deve definir se o caso vai a júri popular, ou não. A decisão não tem prazo para ser emitida.

Fotos: Divulgação – Gustavo Tonetto

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