Justiça condena mais quatro policiais de Taubaté, SP à prisão por ligação com tráfico

Quatro policiais civis de Taubaté (SP) foram condenados pela Justiça a até 36 anos de prisão por envolvimento com o tráfico de drogas. A decisão, da 3ª Vara Criminal de Taubaté, em primeira instância, é desta segunda-feira (8). Os réus vão recorrer. (leia abaixo)

Os policiais trabalhavam na Delegacia de investigações Sobre Entorpecentes (Dise) em 2015, quando ocorreram as investigações. Para a Justiça, os policiais compactuaram com traficantes e cometeram crimes, uns para assegurar a impunidade dos outros.

A denúncia foi do Ministério Público, que apontou eles forjavam prisões em flagrante, extorquiam detidos, atuavam no tráfico de entorpecentes, negociando drogas que deveriam ser apreendidas com traficantes, além de darem falso testemunho de crimes.

O delegado Marcelo Duarte e outros três policiais já haviam sido condenados anteriormente pelos crimes. Duarte responde em liberdade. (leia abaixo)

Dos quatro policiais condenados nesta segunda, três já estão presos e um deles também vai poder responder ao processo em liberdade. Além da prisão, todos foram condenados também à perda dos cargos.

Investigação

Os policiais foram flagrados cometendo os crimes por meio de escutas telefônicas autorizadas pela justiça. A investigação durou seis meses.

O policial Flávio da Cruz foi condenado a 36 anos de prisão em regime fechado e seis meses em regime semiaberto. O investigador Iran carvalho recebeu a pena de 22 anos de prisão em regime fechado e seis meses em regime semiaberto.

Eyji Suzuki foi condenado a 26 anos de prisão em regime fechado e um ano em regime semiaberto.

O único que responde em liberdade é o policial Alexandre Wagner, que foi condenado a seis anos de prisão em regime fechado e seis meses em regime semiaberto.

Além de da prisão, a Justiça determina a perda do cargo público dos réus por se tratar de um ‘conjunto de crimes graves’ praticados por agentes públicos utilizando-se do aparato do Estado.

Outras condenações

Em março a Justiça determinou a prisão do delegado Marcelo Duarte por 4 anos e 7 meses, pagamento de multa e perda do cargo. Ele recorre em liberdade.

A sentença do policial Flávio Augusto dos Santos, que já está preso, foi de 36 anos e 7 meses de prisão, sendo apenas os últimos sete meses no semiaberto.

Aderson Leandro Silva Pinheiro foi condenado a 36 anos e seis meses de reclusão em regime fechado, mais seis no semiaberto e também já está preso. O policial Matheus Lima Barbosa pegou pena de 26 anos e oito meses.Todos foram condenados ainda ao pagamento de multa e perda do cargo.

Outro lado

O advogado Deniz Vecchio, do policial Eyji Suzuki, disse que respeita a decisão da Justiça, mas que vai recorrer.

Já a defesa do policial Iran Carvalho, o advogado Leonardo Máximo, disse que ele não foi notificado oficialmente da decisão, mas que também vai recorrer.

O advogado Emílio Sanchez Neto, que representa o policial Flávio Cruz, disse que não se manifestaria sobre uma decisão a qual não foi notificado oficialmente.

O advogado do policial Alexandre Wagner, André Luiz Marcondes de Araújo, não foi localizado pela reportagem e não retornou as ligações após contato com o escritório de advocacia.

Foto: Reprodução

 

 

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