Após concessão de prisão domiciliar, Abdelmassih é monitorado por tornozeleira eletrônica

Simone Gonçalves – O ex-médico Roger Abdelmassih, condenado a 181 anos de cadeia por estuprar pacientes e que obteve na Justiça o direito de cumprir prisão domiciliar, é monitorado por tornozeleira eletrônica desde o fim da manhã desta quinta-feira (22). O equipamento foi colocado no detento por agentes da Secretaria da Administração Penitenciária (SAP) por volta das 11h. Abdelmassih permanece no hospital São Lucas, em Taubaté (SP), e aguarda alta médica ou liberação para uma possível transferência.

Após a ação, a escolta policial deixou o hospital São Lucas, onde Abdelmassih está internado desde maio com problemas pulmonares. Ele, que era interno de uma penitenciária em Tremembé (SP), era monitorado pela PM durante a internação.

Conforme apurou a reportagem, a expectativa é que Roger Abdelmassih deixe o hospital apenas nesta sexta-feira (23). A assessoria de imprensa do hospital não informou o estado de saúde do preso, nem deu previsão de alta ou liberação para eventual transferência.

Com a concessão da prisão domiciliar, o ex-médico pode cumprir a pena em casa ou, caso necessário manter a internação, em unidades hospitalares que escolher, com a prévia autorização judicial. Além da tornozeleira eletrônica, ele não poderá deixar, sem autorização, a cidade de moradia que indicar a Justiça. A residência do ex-médico é em São Paulo.

Antes da internação, Roger Abdelmassih cumpria prisão em Tremembé, na penitenciária José Augusto Salgado, conhecida por abrigar casos detentos de casos de grande repercussão, como os irmãos Cravinhos, condenados pela morte do casal Richthofen; e Alexandre Nardoni, condenado pela morte da filha Isabela.

A defesa do ex-médico foi procurada, mas não retornou o contato da reportagem.

Indulto

O ex-médico de 74 anos tentava, desde outubro de 2016, o indulto humanitário, apontando que sofre de graves doenças, entre elas enfermidades do coração – a defesa pedia que, caso não fosse dado o indulto, que a Justiça concedesse a prisão domiciliar.

Na decisão, a Justiça negou o indulto – que é uma forma de extinção da pena -, mas concedeu a prisão domiciliar, justificando que o quadro de saúde dele se agravou nos últimos meses e que Abdelmassih precisa de cuidados constantes, que não poderiam ser oferecidos no presídio.

Ele terá que passar por perícia médica a cada três meses, ou em menos tempo se a Justiça determinar, para avaliar o quadro de saúde. Caso tenha condições, ele deverá retornar à prisão.

Histórico

Roger, que era considerado um dos principais especialistas em reprodução humana no Brasil, foi condenado a 278 anos de reclusão em novembro de 2010. Foram considerados 48 ataques a 37 vítimas entre 1995 e 2008. Abdelmassih não foi preso logo após ter sido condenado porque um habeas corpus do Superior Tribunal de Justiça (STJ) dava a ele o direito de responder em liberdade.

O habeas corpus foi revogado pela Justiça em janeiro de 2011, quando ex-médico tentou renovar seu passaporte, o que sugeria a possibilidade de que ele tentaria sair do Brasil. Como a prisão foi decretada e ele deixou de se apresentar, passou a ser procurado pela polícia.

Em 24 de maio de 2011, o Conselho Regional de Medicina de São Paulo (Cremesp) cassou o registro profissional de ex-médico de Abdelmassih.

Após três anos foragido, quando chegou a ser considerado o criminoso mais procurado de São Paulo, Abdelmassih foi preso no Paraguai pela Polícia Federal (PF), em 19 de agosto de 2014. Em outubro daquele ano, a pena dele foi reduzida para 181 anos, 11 meses e 12 dias, por decisão judicial. Entretanto, pela lei brasileira, nenhuma pessoa pode ficar presa por mais de 30 anos.

 

Foto: Reprodução

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