Incêndio atinge a Serra da Bocaina na divisa de São Paulo e Rio de Janeiro

Um incêndio de grandes proporções atinge, há quatro dias, a Serra da Bocaina, proximidades de Bananal, na divisa entre os estados de São Paulo e Rio de Janeiro. Se não for contido, o fogo poderá chegar à Estação Ecológica de Bananal, seguindo em direção a Angra dos Reis. Mais de 30 alqueires já foram destruídos, provocando perdas incalculáveis para a fauna e flora. A situação tende a se agravar por conta do cansaço físico dos 15 voluntários e profissionais que trabalham, 24 horas para conter as chamas.

Um helicóptero Águia do Corpo de Bombeiros auxiliou os trabalhos, mas segundo membros da Associação de Moradores do Vale da Bocaina, o volume de água jogado pela aeronave, não surtiu muito efeito no controle das chamas. Membros da Amovale afirmam desconhecer os motivos do incêndio, no entanto, a equipe está pedindo apoio de cidades vizinhas. Uma delas é Volta Redonda que possui, de acordo com membros da entidade, uma equipe de Bombeiros bem estruturada.

A administradora da entidade, Luiza Helena de Almeida Monteiro, acredita ainda que o Corpo de Bombeiros da CSN (Companhia Siderúrgica Nacional), agentes da Defesa Civil de Volta Redonda e Barra Mansa, também possam engrossar a lista de apoio no controle ao incêndio.

– Volta Redonda e Barra Mansa são muito próximas a Bananal e se relacionam tanto pelo turismo, como pelo comércio, por isso, estamos pedindo socorro a estes municípios que tem maiores recursos que o nosso – completou Luiza Helena.

Para proteger a maior parte da mata, o grupo concentra as atividades nas proximidades das nascentes, imprescindíveis para a recomposição de Matas Ciliares. Outros cuidados são com a preservação da Serra dos Palhares, próximo a Bocaina, onde também fica a nascente do Rio Bananal, que abastece o estado de São Paulo e o Rio Paraíba do Sul, no Rio de Janeiro.

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Incêndios

Dados do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisa Espaciais) o número de focos de incêndio no país bateu recordes este ano, desde 1999. Em apenas 22 dias ocorreram 95 queimadas, se tornando o maior número de focos em apenas um mês. Até o final de setembro, deste ano, se a seca se mantiver, é possível, segundo o órgão, que este ano, fique na liderança, com mais de 194 mil focos, registrados há sete anos.

Dois fatores explicam a alta no dado: a estiagem prolongada em boa parte dos estados e a ausência de fiscalização. A situação é bastante crítica em alguns estados, como no Pará, onde em apenas setembro – houve aumento de 462%, de queimadas, em relação ao mesmo mês no ano passado. Estes números ainda não estão consolidados já que o mês ainda não acabou.

Serra da Bocaina

O caminho aberto pelos índios, ligando o litoral fluminense ao Vale do Paraíba, passa pelo Parque Nacional da Serra da Bocaina, criado em 1972,  com o intuito de proteger a população das principais cidades da região, caso houvesse um acidente nas usinas Angra I e Angra II. As escarpas da Serra do Mar, forradas por vegetação nativa, funcionariam como um escudo protetor.

Hoje, os 100.000 hectares do parque protegem a mais rica amostra de Mata Atlântica do país. As trilhas existentes nesta localidade se tornam um dos grandes atrativos para amantes do ecoturismo. Abrigando a maior extensão contínua de Mata Atlântica do país, o Parque possui diversas espécies de animais e vegetais, além de cachoeiras em meio à mata fechada.

Um percurso bastante conhecido é a Trilha do Ouro, uma caminhada de três dias passando por lugares históricos, ligando São José do Barreiro a Parati. O Parque Nacional da Serra da Bocaina está localizo, na Serra do Mar, divisa entre São Paulo e Rio de Janeiro. A área pertence aos municípios de Areias, Cunha, São José do Barreiro e Ubatuba, todos em São Paulo, e Parati e Angra dos Reis, ambos no Rio de Janeiro. O acesso pode ser feito através da Rodovia Presidente Dutra, ou da Rodovia Rio – São Paulo (BR-101).

 

Foto 1: Allan Schiavo

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