Sereníssima Republica: O olhar imediatista não resolve

O Olhar imediatista não resolve

                                                                                              Ítalo do Couto Mantovani

Andar nas ruas de São Paulo faz você ter um contato com milhões de pessoas, experiências e pichações. No centro velho uma frase pichada, em um muro, que chamou atenção, antes do prefeito usar sua política da cidade linda e apagar, era “o cidadão suborna, a polícia chantageia”. Mostrando que a corrupção policial está muito além do que pensamento e imaginamos. A atitude de uma minoria faz com o prestigio e gratidão que muitos cidadãos têm sobre a corporação ruir ano após ano.

Usando uma pesquisa um pouco antiga, de 2013, mas atual para o assunto de corrupção policial, fica claro que essa chagas na polícia faz o cidadão ver com outros olhos a instituição. De acordo com o DataFolha, dos aproximadamente 8.500 entrevistados no Rio de Janeiro, 7% afirmam que sofreram extorsão policial. Uma porcentagem muito alta para a média nacional que está na casa dos 2,5%.

E se pegarmos só as pessoas que afirmam que sofreram corrupção, o Estado do Rio de Janeiro fica em primeiro com 30% dos casos seguido por São Paulo com 19%. Engana-se quem pensa que essa extorsão vem só para tirar dinheiro. Conforme relato eles aceitam de tudo, passando de manteiga, frango, goiabada e até queijo. Esses números estão ligados diretamente a Policia Militar, mas há dados também sobre corrupção da Polícia Civil, um número menor devido a essa trabalhar diretamente nas ruas. Para provarmos a avalanche de notícias de extorsão sobre a Corporação e outras que se envolvem em corrupção é só analisarmos o último Índice de Confiança na Justiça Brasileira (ICJBrasil)- um levantamento estatístico realizado em sete dos 26 estados brasileiros, com amostra de representação da população, com objetivo de acompanhar o sentimento da população brasileira em relação a Justiça Brasileira. O índice mais atual é do primeiro semestre de 2016, com ele temos a população brasileira confia muito mais nas igrejas (57% de confiança), nas grandes empresas (34%) que na policia (25%). A Instituição das forças armadas é a única que tem uma porcentagem acima da média – 29%- apresentando 59% de confiança de toda a população. Valor muito abaixo se compararmos com 2012 em que a porcentagem de confiança estava na casa dos 36% (entre muito satisfeito e pouco satisfeito), ou seja, em 5 anos a Policia brasileira viu seu índice desabar 11%.

Como as noticias tem o habito de divulgar as corrupções feitas entre policial e cidadão, achamos corriqueiro e apenas nesse sentido. Mas não, existe corrupção dentro da própria instituição. Em março de 2017, o Tenente Coronel José Adriano de São Paulo, revelou uma mega operação de corrupção, que ficou conhecida como Lava-Jato da PM de São Paulo. O oficial se encontra preso, mas através de delação premiada ele promete falar e explicar sobre esse esquema, que de acordo com ele teve uma valor de mais de 200 milhões de reais desviados tendo como beneficiários apenas 18 coronéis e o deputado estadual Coronel Camilo. Esquema que vem desde 2005. Atualmente o caso se encontra parado, pois envolve um político com foro-privilegiado. Assim, precisa do aval do Procurador-Geral da Justiça de São Paulo. Desse modo, apenas o Tenente-Coronel foi punido ainda. Perda da patente e aposentadoria.  O mesmo esquema de delação usada até então como ferramenta de investigação entre políticos e empreiteiros deixou de ser exclusiva. Além de São Paulo no seu caso da Lava-Jato da PM/SP temos em junho deste ano no Rio de Janeiro, a maior operação contra a corrupção policial da história da cidade. Um esquema que envolvia mais de 90 policiais militares – todos já tiveram prisão preventiva decretada- receberam cerca de 1 milhão por mês durante dois anos, em troca ajudavam traficantes do Comando Vermelho (segunda maior facção criminosa do país).

Desta forma, vem à pergunta que muitos policias, cidadãos e governos fazem, O que fazer contra a corrupção policial? Uma pergunta simples, com uma resposta complexa. Engana-se quem pensa em punição rigorosa, expulsão dos quadros da policia para não contaminar – a famosa maça podre- ou até mesmo selecionar candidatos honestos, reformulando currículos das academias. Há pessoas que falam em melhor salário. Porém, a resposta não fica nesse campo. Ela está muito a frente de tudo isso que foi dado como solução, pois com essas “saídas” vem outras perguntas tais como,  Quem são os corruptos da polícia? Quantos e quais são? O que é um candidato honesto? Um treinamento adequado para fazer o quê? . Temos que pensar adiante. A corrupção está ligada com o povo brasileiro. Notícias diárias tomam conta dos jornais, revistas e televisão sobre escândalos. Não existe um povo honesto e uma policia corrupta, muito menos um povo corrupto e uma policia honesta, um é apenas reflexo do outro.

Em suma, para conter isso não basta investir em educação e a pessoa continuar pegando 4 ônibus para chegar a escola, que seu colega chega em 15 minutos e de bicicleta. Um país sem corrupção, mas com desigualdade continua fadado ao fracasso. São milhares de Diagramas de Veen (representando os problemas brasileiros) que sofrem inúmeras intersecções. A educação é uma, mas ao mesmo tempo temos que combater a corrupção, a desigualdade, a pressão que inúmeros policias sofrem diariamente em seus serviços por não terem um prestigio que merecem e muito menos o reconhecimento de um serviço cansativo, perigoso e estressante. Temos que dar o reconhecimento merecido, modernizar toda a estrutura policial para um trabalho mais qualificado, cursos de ensinamentos do papel da polícia na democracia, direitos humanos, prevenção policial, investigação policial entre outros. Tudo isso que foi dito, não resolve o problema, mas ajuda amenizar e ao longo tempo veremos índices de corrupção, na PM, caírem. Para isso, do Ministro de Justiça ao aluno da escola de soldados da PM tem que lembrar-se que a segurança Pública honesta, longe de vícios e corruptos se faz com pessoas que conseguem aliar boas ideias, planejamento e ação, afastando de si a forma de observação imediatista que não tem uma reflexão e é extremamente simplista.

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