Assim que for estraditado da Espanha, Guilherme Longo será encaminhado para o presídio de Tremembé, SP

Guilherme Longo deve deixar Madri até o dia 20 de janeiro; Ministério da Justiça do Brasil já determinou escolta e acusado da morte do garoto será levado para Tremembé.


Padrasto do menino Joaquim será extraditado no final de janeiro

Padrasto do menino Joaquim será extraditado no final de janeiro

 

A Justiça da Espanha definiu nesta terça-feira (2) a extradição de Guilherme Longo para o Brasil. Ele é acusado de matar o enteado Joaquim Ponte Marques, de 3 anos, de Ribeirão Preto (SP). De acordo com informações apuradas pela reportagem, o Ministério da Justiça enviará uma escolta para Madri, entre os dias 16 e 20 de janeiro, para trazer Longo ao Brasil. Assim que pisar em solo brasileiro, o padrasto será levado para a penitenciária de Tremembé.

Joaquim foi encontrado morto no Rio Pardo, em Barretos (SP), em novembro de 2013, depois de desaparecer de sua casa em Ribeirão Preto.

Foragido da Justiça brasileira desde setembro de 2016, Guilherme Longo foi preso pela Polícia Internacional (Interpol) em abril de 2017, em uma praça em Barcelona, na Espanha. Ele usava documentos falsos no nome de um primo que mora em Santa Catarina.

A suspeita é que ele tenha deixado o Brasil pelo Uruguai, mas não há detalhes sobre a forma com que Longo conseguiu driblar a imigração espanhola.

Guilherme Longo é preso pela Interpol em Barcelona, na Espanha (Foto: Fantástico/Reprodução)

Guilherme Longo é preso pela Interpol em Barcelona, na Espanha (Foto: Fantástico/Reprodução)

A hipótese de que Longo estaria na Europa foi levantada por uma mulher que mora no Chile, que entrou em contato com o pai de Joaquim, Arthur Paes Marques. Por meio das redes sociais, ela informou que o acusado usava um nome falso no exterior e identificou o hotel onde ele havia se hospedado.

De acordo com o advogado do pai da criança, Alexandre Durante, um brasileiro com o nome de Gustavo Triani deixou o Brasil pelo Uruguai em 20 de dezembro de 2016 e chegou a Madri de avião três meses depois, em 19 de março de 2017. Triani é primo de Guilherme Longo, mora em Santa Catarina e negou qualquer participação na fuga.

Antes de chegar à Espanha, Longo teria tentado se alistar na Legião Francesa, mas desistiu por receio da documentação, conforme a acusação.

O menino Joaquim Ponte Marques foi encontrado morto cinco dias após desaparecer da casa onde morava em Ribeirão Preto (Foto: Reprodução)

O menino Joaquim Ponte Marques foi encontrado morto cinco dias após desaparecer da casa onde morava em Ribeirão Preto (Foto: Reprodução)

Relembre o caso

O corpo de Joaquim foi encontrado no Rio Pardo, em Barretos, em novembro de 2013, cinco dias após o menino desaparecer da casa onde morava com a mãe, o padrasto e o irmão, no Jardim Independência, em Ribeirão.

A Polícia Civil concluiu que o padrasto matou o menino, que sofria de diabetes, com uma alta dose de insulina, e jogou o corpo em um córrego próximo à residência da família. Longo foi indiciado por homicídio triplamente qualificado.

Um laudo do Instituto Médico Legal (IML) emitido na época da morte do garoto apontou ausência de água no organismo, o que descartou a suspeita de afogamento, mas não identificou outras substâncias.

Em liberdade, a mãe do menino, Natália Ponte, é acusada de ter sido omissa em relação à segurança do filho, por saber que Longo era agressivo e havia voltado a usar drogas na época da morte do garoto.

Preso em Tremembé desde janeiro de 2014, Longo obteve um habeas corpus da 1ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP), que considerou excessivo o prazo do processo.

A liberdade provisória, no entanto, estava sujeita a obrigações, como o comparecimento à Justiça periodicamente, e a proibições, como deixar a cidade. Ele também deveria ter permanecido em recolhimento domiciliar no período noturno e nos dias de folga de trabalho.

Todas as testemunhas do caso já foram ouvidas pela Justiça, que deve definir se o caso vai a júri popular.

Durante o tempo em que Longo esteve foragido, o promotor de eventos Arthur Paes, pai da criança, espalhou outdoors para tentar localizar o acusado.

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