Bandidos atacam agências bancárias, posto da polícia e aterrorizam Quatis, RJ

bandidos dispararam tiros e explodiram agências em Quatis

bandidos dispararam tiros e explodiram agências em Quatis

Foram apreendidos projeteis de fuzis deflagrados e miguelitos

Foram apreendidos projeteis de fuzis e miguelitos


Pelo menos doze homens encapuzados e fortemente armados com fuzis, pistolas, submetralhadores e explosivos atacaram, na madrugada desta sexta-feira (12), as agências da Caixa Econômica Federal (CEF) e Banco do Brasil. Os bancos ficam na parte central da cidade e os barulhos de tiros e explosões assustaram os moradores. As entradas dos bancos e ao menos dois cofres internos foram destruídos na ação.

O delegado titular da 100ª DP (Porto Real), Marcelo Haddad, confirmou que foi levado dinheiro dos dois bancos, mas não soube precisar o valor exato. Os bandidos se dividiram em quatro grupos, e um deles disparou vários tiros na direção do Destacamento de Policiamento Ostensivo (DPO).

Três policiais militares estavam na unidade no momento do tiroteio, mas eles não ficaram feridos. Os criminosos tinham a intenção de impedir a saída dos agentes e jogaram miguelitos (usados para furar pneus de veículos) em frente ao destacamento.

O sargento-PM Alessandro disse que estava junto com o cabo Marco Aurélio e o soldado Cesário no DPO, quando o ataque começou. Segundo ele, os tiros vinham da rua que fica em frente ao DPO. Diante do poderio de fogo dos bandidos, os PMs se refugiaram no alojamento que fica no fundos do destacamento.

– Chagamos numa viatura por volta das 4h da madrugada e entramos no DPO para fazer o revezamento de um policial. Deram mais de 100 tiros. Não revidamos. Os disparos estilhaçaram os vidros das janelas do DPO – disse Alessandro, acrescentando que pensou que fosse uma retaliação pelas prisões que a PM vem realizando na cidade.

Uma das viaturas da PM, que estava em frente ao DPO, teve um dos pneus furados. Os bandidos estavam em quatro veículos, sendo um Kadet, um Gol, um HB-20 e um Sandero. Após o atentado, o Kadet branco foi encontrado abandonado na RJ-145, que dá acesso ao distrito de Falcão e ao Estado de Minas Gerais. Haddad acredita que o restante da quadrilha usou a mesma estrada para fugir.

Rota de fuga

Os marginais também espalharam miguelitos na ponte de ferro, que liga Porto Real a Quatis, na localidade conhecida como Sítio Andorinha e no pórtico da estrada da cidade. Algumas viaturas do 37º Batalhão da PM, que vieram de Resende para dar apoio aos PMs que estavam em Quatis, tiveram seus pneus furados, assim como aconteceu com outros veículo particulares.

Os integrantes da quadrilha também promoveram um intenso tiroteio para intimidar os moradores, para que eles não saíssem de suas casas. Segundo testemunhas, o tiroteio começou por volta das 4 h da madrugada e durou cerca de 20 minutos.

Moradores assustados

A dona de casa Valeska Gonçalves, de 40 anos, que mora perto do prédio da CEF, disse que acordou com um “barulho ensurdecedor” de tiros e explosões. Ela explicou que pensou inicialmente se tratar de um acidente de trânsito, e que o muro de sua casa teria caído.

– Olhei pela fresta da janela da minha casa e vi um homem encapuzado atirando a esmo. Também havia homens dentro de um carro branco, que passaram várias vezes pela rua onde moro atirando. Acredito que era para amedrontar e intimidar os moradores. Em seguida, houve as explosões e minha casa tremeu. Eu, meu marido e meu enteado ficamos muito assustados. Só me tranquilizei quando uma viatura da PM chegou ao local – disse ela.

Já o operador de computador Wesley Alves Soares, de 17 anos, disse que também acordou assustado com o tiroteio e o barulho das explosões.  Ele, que mora no bairro São Benedito, disse que o telhado de sua casa foi alvejado a tiros.

– Eu e os oito integrantes da minha família deitamos no chão, temendo sermos atingidos por bala perdida – disse o rapaz.

O barulho dos tiros e das explosões também foi ouvido por João Marcos do Carmo Freitas, de 19 anos, que mora no bairro Santo Antônio, distante dois quilômetros de distância da sede da agência do Banco do Brasil.

– Esses bandidos nos aterrorizaram. Nunca tinha visto coisa parecida – disse João Marcos.
Polícia Federal também assume investigações

As investigações sobre as explosões na agência da CEF são de competência da Polícia Federal. Por isso, na agência atacada compareceu o delegado da PF de Volta Redonda, Pedro Paulo Simão. Ele requereu que agentes da própria polícia federal realizassem a perícia no local. Peritos da PF estavam vindo do Rio de Janeiro para realizar o trabalho.

Já na agência do Banco do Brasil, as investigações preliminares ficaram a cargo do delegado Marcelo Haddad e a perícia foi feita por agentes do Instituto de Criminalística Carlos Éboli (ICCE). O policial pretende requisitar imagens das câmeras de segurança instaladas nas agências e também as de rua.

– Os integrantes dessa quadrilha são especializados nesse tipo de roubo a banco. Acredito que seja o mesmo bando que recentemente explodiu caixas eletrônicos em Angra dos Reis, porque o modo deles operarem foi idêntico. Inclusive jogando miguelitos nas ruas para danificar os pneus de veículos, principalmente da PM, para não serem perseguidos – disse Haddad.

O delegado disse que não existe mais cidade que possa ser considerada completamente tranquila em relação à criminalidade. “Não importa o tamanho dela”, disse o policial.

Segundo Haddad, além do crime de roubo, os bandidos também praticaram tentativa de homicídio, atirando contra os PMs que estavam no DPO de Quatis.

– Os integrantes da quadrilha se dividiram em quatro grupos. Dois deles foram explodir os cofres das agências e outro se dirigiu para o DPO. Um quarto grupo ficou dando cobertura aos comparsas – explicou o delegado.

Os gerentes das duas agências não quiseram dar entrevista aos jornalistas. O delegado informou ainda que não ficam vigias à noite e madrugada nos dois bancos.

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