Policia prende dois suspeitos de tentar extorquir R$ 200 mil do prefeito de Itatiaia, RJ

Envelope com o dinheiro que seria entregue em ação combinada com o MPE-RJ (Foto: Divulgação)

   Envelope com o dinheiro que seria entregue em ação combinada com o MPE-RJ (Foto: Divulgação)

Na manhã de ontem (26) foram presos dois homens suspeitos de extorsão ao prefeito de Itatiaia (RJ), Eduardo Guedes, conhecido como Dudu, do PMDB. Segundo o Ministério Público Estadual (MPE-RJ), Marcelo Tavares e José Luís de Carvalho Vargas chegaram a pedir R$ 200 mil ao prefeito para que eles não entrassem com processos que poderiam denegrir a imagem de Eduardo Guedes e causar prejuízos aos cofres da prefeitura.

Marcelo Tavares é advogado e José Luís de Carvalho Vargas se apresenta como presidente de um Instituto de Transparência criado para fiscalizar ações dos políticos.

A denúncia foi feita pela própria vítima, que apresentou provas dos contatos feitos pela dupla.

“Na quinta-feira passada, eu fui procurado pelo vereador João Márcio, da base do Governo, um vereador muito próximo a mim, dizendo que ele havia sido procurado por duas pessoas dizendo que teriam ações para entrar contra o município de Itatiaia, contra a minha pessoa, por contratos emergenciais feitos de forma ilegal. Em nenhum momento nós cedemos a isso. Procuramos um advogado, e esse advogado nos orientou a procurar o Ministério Público”, contou o prefeito, em entrevista.

A investigação ganhou um desfecho graças a imagens de câmeras de segurança de estabelecimentos onde os encontros eram realizados. A entrega da quantia em dinheiro, feita pela vítima, foi flagrada em ação previamente monitorada e acompanhada pelo MPE-RJ, levando à prisão dos envolvidos.

O promotor do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado), Fabiano Oliveira, detalhou toda a ação:

“O Ministério Público foi procurado pelo prefeito de Itatiaia, Eduardo Guedes, noticiando que estaria sendo vítima de crime de extorsão, que estaria sendo praticado por um advogado de Resende, e pelo presidente de um instituto brasileiro de transparência, que seria criado para controle da legalidade dos atos públicos e para auxílio da sociedade.

A partir deste momento, o Gaeco, o Grupo de Atuação de Combate ao Crime Organizado, passou a monitorar as ações dos investigados, inclusive com gravação das conversas que eram celebradas entre eles. E contatos da vítima, sempre negociando o pagamento de valores em dinheiro — inicialmente R$ 80 mil —, para que eles não ajuizassem ações populares diversas, em série, contra o prefeito, e não as divulgasse na imprensa, com objetivo de denegrir a imagem dele.

Em dado momento, eles ajuizaram essas ações, como intuito de reforçar a ameaça inicialmente feita, e passaram a exigir R$ 200 mil para que a ação fosse desistida.

Com o monitoramento destas ações, inclusive com a captação de imagens de câmeras de estabelecimentos onde os encontros eram realizados, foi possível acompanhar o desfecho, com a entrega de quantia em dinheiro feita pela vítima previamente monitorada e com acompanhamento do Ministério Público. Foi feita a prisão desses dois indivíduos, a partir de ordem judicial, com mandado de prisão preventiva”, contou o promotor.

Através de nota, o Instituto Brasileiro da Transparência & Cooperação disse que “expressa total apoio às operações que buscam dar transparência e prestar esclarecimentos sobre quaisquer acusações divulgadas na impresa local. Devemos buscar a prática do que é lícito. Também é nosso dever, como instituição, proteger e preservar razões da sua existência, que na sua essência é o controle social e a transparência. Gostaríamos também que fosse entendida a separação entre instituição e o Sr. José Luís de Carvalho Vargas. Igualmente, informamos que o senhor Marcelo Tavares não faz parte do quadro do instituto. Dito isso, que fique à cargo das autoridades policiais e da Justiça brasileira fazerem toda denúncia, investigação e condenação por quaisquer atos ilegais supostamente praticados”.

Outros prefeitos podem estar sendo chantageados

O promotor disse que a investigação continua porque ele acredita que outros prefeitos também podem estar sendo vítimas de chantagens.

“As investigações indicaram, também, que, possivelmente, esses dois denunciados atuam em conjunto com outros elementos ainda não identificados, na prática habitual de extorsão contra agentes políticos, sempre da mesma forma, com a promessa de ajuizamento de ações populares, e com a promessa de divulgação dessas ações com conteúdo negativo da imagem dos políticos na imprensa e nas redes sociais. Por isso, foi feita a denúncia por quadrilha e também por extorsões”, acrescentou Fabiano Oliveira.

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