Família de PM que amputou perna após tiro de fuzil no Rio faz ‘vaquinha’ para comprar prótese

Cabo Victor Couto participou do resgate de crianças em Niterói, que tinham sido levadas por bandidos em van. Família tenta juntar R$ 40 mil para ele voltar a ter uma ‘vida normal’ rapidamente.


Família de PM que amputou perna após tiro de fuzil faz 'vaquinha' para comprar prótese; ele participou de resgate de crianças em Niterói

Família de PM que amputou perna após tiro de fuzil faz ‘vaquinha’ para comprar prótese; ele participou de resgate de crianças em Niterói

Há menos de um ano, o cabo da PM Victor Couto, de 30 anos, recebia uma homenagem por participar da equipe que ajudou a recuperar uma van com duas crianças levadas por bandidos em Niterói, na Região Metropolitana do Rio. Agora, é o policial que precisa de ajuda: sua família está organizando uma “vaquinha” na Internet para custear uma prótese e tratamento depois que o cabo teve que amputar a perna direita, baleada por criminosos em um tiroteio.

Victor foi baleado no dia 23 de janeiro também em Niterói. Ao G1, o cabo contou que os bandidos atiraram pelas costas, e ele foi atingido na perna. Victor ficou 10 dias em coma no hospital e teve três paradas cardíacas. Ele disse que exercia a profissão por amor.

Victor Cout com o filho durante entrevista ao G1 (Foto: Miguel Folco/ G1)

Victor Cout com o filho durante entrevista ao G1 (Foto: Miguel Folco/ G1)

“Sei que é uma profissão de enxugar gelo, mas é o mínimo que a gente pode fazer. O que a gente tem feito, com a estrutura que a gente tem, só com o coração mesmo. Sair de casa sem saber se vai voltar, defender a família dos outros, deixando a nossa em casa insegura. Tem que amar o que faz”, disse.

“Quero voltar a ficar de pé, atualmente eu não consigo, tenho que usar a cadeira de rodas. Eu quero botar minha prótese e sair de mãos dadas com meu filho, eu quero ter o prazer de pegar um carro e levar meu filho no shopping, na escola, essas coisas simples”, completou.

 

O PM também falou sobre a luta de se adaptar à nova realidade: atualmente, está andando de cadeira de rodas e mora numa casa com escadas. “Tomar um banho, tudo se tornou complicado… Estamos tendo que adaptar tudo aos poucos”, conta.

Campanha na internet

A iniciativa da “vaquinha” na internet partiu da irmã do policial Isabela Couto. A família evita críticas à corporação e conta que o Estado não se negou a fornecer uma prótese, mas acredita que a campanha vai ajudar a conseguir o melhor equipamento disponível no mercado bem mais rápido.

“O Estado não se negou em nos ajudar. Mas a prótese que eles dão não é a melhor para a recuperação do meu marido”, afirmou Lorena Couto, esposa do cabo. “Quem quer esperar meses ou um ano para ter uma vida normal? Queremos que ele tenha logo uma vida mais normal possível e possa retomar às suas atividades”, acrescentou.

A assessoria de imprensa da PM informou que o comando do 12º BPM (Niterói) e a Diretoria Geral de Saúde (DGS) da Polícia Militar estão acompanhando o caso, assim como prestando o auxílio necessário – tanto o cabo quanto Isabela confirmam que os contatos da corporação são constantes.

“O tratamento e a colocação da prótese estão sendo avaliados pela equipe médica que cuida do policial”, diz a nota da PM, que, entretanto, não deu prazos para a liberação do equipamento.

O objetivo financeiro da vaquinha é arrecadar R$ 40 mil – suficiente para comprar a prótese e também fazer o tratamento de reabilitação.

“Sei que vou fazer muita fisioterapia – o prazo mínimo (para voltar a andar) é seis meses. Sei que vem toda uma batalha aí, uma luta, que estou disposto a enfrentar”, afirmou o cabo. “Essa perna não vai me impedir de voltar a ser o que era antes”.

Atualmente, olicial militar usa cadeira de rodas para se locomover (Foto: Miguel Folco/ G1)

Atualmente, olicial militar usa cadeira de rodas para se locomover (Foto: Miguel Folco/ G1)

 

A esposa de Victor fez um apelo pedindo a colaboração de todos. “A gente sabe que o Victor é uma pessoa muito querida, já percebemos pelas doações de sangue que ele recebeu. Mas agora a nossa luta é outra. É para ele ter uma vida ativa, normal. Confiamos que muita gente vai nos ajudar.”

Trajetória de homenagens na Polícia Militar

Victor Couto fazia parte da equipe que ajudou a recuperar uma van escolar que foi roubada com duas crianças dentro do veículo no Barreto, em Niterói (RJ), em agosto de 2017. A ação gerou uma série de premiações e homenagens ao policial.

“Eu recebi uma moção da Câmara dos Vereadores, fomos homenageados, eu e a equipe, porque fizemos um bom trabalho. Apesar de tudo, não teve ferido, não deu nada errado, e as crianças ficaram sãs e salvas. Nesses quase 7 anos que eu tenho de polícia, eu pude contribuir bastante, graças a Deus. Já recebi diversas homenagens”, disse.

No mesmo mês em que aconteceu, o caso também foi lembrado na novela “Força do Querer”, da TV Globo, na qual a PM vivida pela atriz Paolla Oliveira resgatou crianças que tinham sido levadas numa van escolar por bandidos.

Imagem de uma das crianças que foi levada por criminosos em van escolar em 2017; cabo Victor ajudou no resgate. (Foto: Bruno Albernaz/ G1)

Imagem de uma das crianças que foi levada por criminosos em van escolar em 2017; cabo Victor ajudou no resgate. (Foto: Bruno Albernaz/ G1)

Reportagem Bruno Albernaz e Aline Gomes, G1 Rio

Um comentário em “Família de PM que amputou perna após tiro de fuzil no Rio faz ‘vaquinha’ para comprar prótese

  • 4 de maio de 2018 em 12:47
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    Ele sempre foi beeeem junto do filho dele
    Agora está mais ainda. Cada vez se adaptando mais. Estamos muito felizes por ter ele conosco

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