Pais suspeitos de matar menina Emanuelly em Itapetininga são transferidos para penitenciária de Tremembé, SP

Casal foi preso suspeito de matar filha de 5 anos em Itapetininga (Foto: Reprodução/Facebook)

Casal foi preso suspeito de matar filha de 5 anos em Itapetininga (Foto: Reprodução/Facebook)

 

O casal Phelipe Douglas Alves, de 25 anos, e Débora Rolim da Silva, de 24 anos, que é suspeito de matar a filha Emanuelly Agatha, de 5 anos, em Itapetinga (SP), foi transferido para a Penitenciária de Tremembé, no Vale do Paraíba, onde está preso o casal Alexandre Nardoni e Ana Carolina Jatobá, condenados pela morte da menina Isabella Nardoni, em 2008.

Em nota, a Secretaria de Administração Penitenciária (SAP) informou ao G1 que Débora foi tranferida para a Penitenciária Feminina I “Santa Maria Eufrásia Pelletier” de Tremembé, onde deverá permanecer em cela individual em Regime de Observação (RO), por volta de 15 dias.

Após esse período, segundo a SAP, ela passará a ficar em cela coletiva.

Já em relação ao Phelipe, a SAP informou que ele foi transferido para a Penitenciária II “Dr. José Augusto César Salgado” de Tremembé, onde encontra-se em cela individual e permanecerá em Regime de Observação (RO).

Débora Rolim está presa na Penitenciária I de Tremembé (Foto: Reprodução/TV TEM)

Débora Rolim está presa na Penitenciária I de Tremembé (Foto: Reprodução/TV TEM)

Crime

Os pais da Emanuelly estão presos desde sábado (3) após terem a prisão preventiva decretada pela Justiça. Segundo a Polícia Civil, na noite de sexta (2) eles acionaram o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e disseram que a filha estava convulsionando depois de uma queda.

A criança foi levada ao pronto-socorro da cidade em estado grave. A equipe médica verificou que a menina estava com diversos hematomas pelo corpo e chamaram a polícia.

Segundo a polícia, ao questionar os pais, eles alegaram que a criança costumava se machucar e, que neste dia, também havia caído da cama, o que teria provocado a convulsão.

Os médicos, no entanto, disseram à polícia que as lesões não condizem com a versão dos pais, de que ela se autolesionava. Diante disso, os pais foram encaminhados para a delegacia e, em seguida, presos, depois da audiência de custódia.

Emanuelly Aghata da Silva morreu ao ser espancada supostamente pelos pais (Foto: Reprodução/TV TEM)

Emanuelly Aghata da Silva morreu ao ser espancada supostamente pelos pais (Foto: Reprodução/TV TEM)

 

De acordo com a polícia, a mulher foi encaminhada à penitenciária em Votorantim e o homem foi levado para o presídio II em Itapetininga. Os dois já tinham passagens na polícia por suspeita de agressão e uso de drogas.

A mãe tem outros dois filhos, um menino de 4 e uma menina de 9 anos – esta mais velha, filha de outro relacionamento. De acordo com o Conselho Tutelar, a menina foi entregue ao pai biológico e o menino, que também é filho do atual marido, Phelipe, que foi preso, foi levado a um abrigo de Itapetininga.

Em SP, casal é preso acusado de espancar até a morte filha de 5 anos

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‘Batiam para educar’

Avó afirma que chegou presenciar as cenas de agressão da neta de 5 anos, morta pelos pais em Itapetininga (Foto: Reprodução/TV TEM)

Avó afirma que chegou presenciar as cenas de agressão da neta de 5 anos, morta pelos pais em Itapetininga (Foto: Reprodução/TV TEM)

 

A avó materna da criança, Irene de Jesus, diz que questionou os pais sobre baterem na menina, mas eles responderam que agrediam a filha para educar.

“Um dia fui à casa deles e o pai estava batendo nela durante o banho. Falei para pararem, mas me disseram: ‘tem que educar’. Ele estava batendo nela com cinto.”

A avó conta que tentou cuidar da criança, mas não conseguiu. Ela não chegou a dar entrada no pedido para conseguir a guarda da menina no Conselho Tutelar.

“Às vezes via marcas roxas nela [criança] e ela [Débora] dizia que a menina tinha caído, mas sempre suspeitei que fosse mentira. Até tentei pegar ela para criar, mas não consegui”, lamenta.

De acordo com o avô, Rubens da Silva, a menina era constantemente agredida pelo pai.

“A sensação que tenho agora é de revolta. Desde quando você vai bater em uma criança desse jeito? Imagina o que ele fez com ela para acontecer isso”, conta emocionado o avô.

‘Papel na boca para abafar os gritos’

Suspeita de matar filha espancada colocava papel na boca da menina para abafar os gritos

Suspeita de matar filha espancada colocava papel na boca da menina para abafar os gritos

 

Uma babá que trabalhou na casa de Débora e Phelipe relatou que a menina era agredida constantemente.

Segundo ela, que prefere não se identificar, a mulher chegava até a colocar papel na boca da criança para que ela não gritasse.

“Um dia fui trabalhar e ela estava com o olho roxo. Porém, quando perguntei o que tinha acontecido, ela disse que tinha caído. Foi então que a irmã mais velha contou que a mãe havia enchido a boca dela [Emanuelly] com papel para que ela não gritasse e bateu com o guarda-chuva no olho dela”, afirma.

Guarda perdida

Débora com Emanuelly durante reportagem exibida em 2016 na TV TEM sobre guarda de filhos (Foto: Reprodução/TV TEM)

Débora com Emanuelly durante reportagem exibida em 2016 na TV TEM sobre guarda de filhos (Foto: Reprodução/TV TEM)

 

Em 2016, Débora foi entrevistada em uma reportagem com o Conselho Tutelar de Itapetininga sobre a perda e a reconquista da guarda de filhos.

Ela relatou, na época, que tinha caído em depressão logo após o parto de Emanuelly, que nasceu com sete meses em outubro de 2012 e precisou ficar hospitalizada.

Como a mãe não visitava a filha no hospital, o Conselho Tutelar foi acionado e a Justiça determinou que a criança ficaria provisoriamente em um abrigo.

Débora entrou na Justiça e precisou mudar de casa e comprovar que tinha condições para cuidar da menina.

“No começo foi difícil para conseguir aquele ‘grude’ entre a gente. Mas agora está completo”, afirmou Débora, em 2016, durante a entrevista.

Investigação

Crime ocorreu na casa onde moravam no Centro de Itapetininga (Foto: Reprodução/TV TEM)

Crime ocorreu na casa onde moravam no Centro de Itapetininga (Foto: Reprodução/TV TEM)

 

A Polícia Civil realizou na terça-feira (6) uma perícia na casa da família, em Itapetininga. A polícia quer saber o que houve no imóvel antes da criança ser socorrida pelo Samu.

A Promotoria de Justiça de Itapetininga afirma que aguarda com atenção e serenidade a ação das investigações, com o resultado da perícia do corpo e no local do crime, bem como oitivas de testemunhas para, ao final, oferecer a denúncia contra o casal em relação aos fatos.

Ainda segundo a promotoria, o trabalho do Conselho Tutelar é fiscalizado pelo Ministério Público, pelo Judiciário e pelo Conselho Municipal da Criança e do Adolescente, e havendo qualquer indício de irregularidades, providências serão tomadas e abertos procedimentos para apuração.

O juiz da Vara da Infância e Juventude Alessandro Viana Vieira de Paula diz que acompanha o caso. De acordo com ele, a Vara vai agir através da rede de proteção.

“Existem dois irmãos [da Emanuelly]. A vara da Infância vai agir através da rede de proteção, Conselho Tutelar para saber se esses irmãos têm condições de ficar com a família, algum avô, algum tio, primo em condições de cuidar. Não havendo ninguém para cuidar, o Conselho deve proceder o acolhimento em abrigo”, diz o juiz.

Polícia ouve testemunhas do caso Emanuelly em Itapetininga

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‘Conseguiu enganar a todos’

O Conselho Tutelar de Itapetininga (SP) revelou na quarta-feira (7) que Débora nunca apresentou indícios de maus-tratos e que sempre atendia bem os conselheiros que acompanhavam a família desde a denúncia de agressão feita pela babá, em janeiro de 2017.

De acordo com o conselheiro tutelar Clayton Soares, assim que órgão recebeu a denúncia, uma equipe foi imediatamente à casa fazer averiguação. Clayton diz que a mãe atendeu os agentes e foi prestar esclarecimentos na sede do Conselho Tutelar.

“A casa sempre estava bem organizada, as crianças também, o relatório de frequência escolar não tinha nenhuma anormalidade, tudo era favorável à mãe. Ela conseguiu enganar a todos”, disse Soares em entrevista.

Conselho Tutelar fala sobre morte de criança que teria sido agredida pelos pais

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 Reportagem Paola Patriarca, G1 Itapetininga e Região

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