Polícia faz operação para combater milícia na Baixada Fluminense

A Polícia Civil e o MP-RJ (Ministério Público do Rio de Janeiro) fazem uma operação, na manhã desta quarta-feira (14), para desarticular uma milícia que atua em Mesquita, na Baixada Fluminense. Até as 11h20, nove pessoas haviam sido presas. Destas, duas foram detidas em flagrante.

A ação visa o cumprimento de oito mandados de prisão temporária e dez de busca e apreesão. Entre os denunciados, quatro são policiais militares (três são lotados no Batalhão de Mesquita e um no Batalhão de Botafogo). Eles são investigados pelos crimes de constituição de milícia privada e extorsão.

O material apreendido pelos agentes durante a operação na Baixada será levado para a sede da Draco (Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas), no prédio da Secretaria de Segurança Pública, na região central do Rio de Janeiro.

Bloqueador apreendido é usado em roubo de cargas

Bloqueador apreendido é usado em roubo de cargas (Reprodução/Polícia Civil)

 

Chamou atenção dos policiais, a apreensão de um Jammer oito antenas, um bloqueador de sinal muito utilizado em roubo de cargas para impedir o rastreamento dos caminhões.

O delegado titular da Draco, Alexandre Herdy, destacou que ainda mais importante que a apreensão feita, é o efeito causado pelas prisões:

— Atingimos a cabeça da organização criminosa, o mais importante é a desarticulação da quadrilha.

De acordo com a unidade, as investigações tiveram início há dez meses, a partir de uma denúncia. A vítima esteve na delegacia e contou aos agentes que um grupo da região passou a praticar extorsões, sob o pretexto de oferecer uma “suposta segurança” aos moradores e comerciantes.

A testemunha afirma que passou a sofrer cobranças e que o grupo impôs o pagamento de uma taxa para cada uma das lojas que ele possuía, totalizando R$ 1 mil semanais pelos dois estabelecimentos. O líder das ações foi identificado como o policial militar Márcio Lima Cunha, conhecido como “Zebu”.

Ao se recusar a pagar a “taxa de segurança”, a vítima, que também é policial militar, teria sofrido uma emboscada praticada por integrantes do grupo liderado por Zebu. Um amigo que o acompanhava foi atingido por disparos e morreu no local. O caso é investigado pela DHBF (Divisão de Homicídios da baixada Fluminense).

De acordo com o titular da Draco, o delegado Alexandre Herdy, o grupo é suspeito de explorar vários serviços:

— Além de cobrar pela taxa de segurança a residências e comerciantes, as investigações apontaram que havia a distribuição de sinal clandestino de tv a cabo, venda de água e de gás, exploração de transporte alternativo, liberação de vias para shows (pagodes), cestas básicas, empréstimos de dinheiro a juros e serviços de moto-táxis — explicou o delegado.

A ação da Draco conta com o apoio da DHBF (Delegacia de Homicídios da Baixada Fluminense) do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado), do setor de Inteligência da Seseg (Secretaria de Estado de Segurança Pública), da Corregedoria Interna da Polícia Militar e da Força Nacional.

 

Reportagem Jaqueline Suarez

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