“Entreguei uma mala com provas”, revela Marcos Valério em MG

Após anos de silêncio, o ex-empresário Marcos Valério falou, com exclusividade.  A conversa aconteceu nesta terça-feira (13), em Belo Horizonte. Valério não deixou ser gravado e nem forneceu detalhes do seu acordo de delação premiada.

Perguntado por que resolveu delatar somente agora, Valério declarou:

—Tentei falar antes, mas o Ministério Público não quis fazer acordo comigo.

E continuou:

— Entreguei uma mala de documentos contendo provas do que falei para polícia. Pensa numa mala. Ou você acha que iam assinar um acordo comigo porque me acham bonito?

Por causa da cláusula de confidencialidade da delação, ele não pode apresentar nomes, nem os detalhes dos esquemas de corrupção que participou.

—Ninguém sabia disso até agora, mas continuei atuando até 2012. Por enquanto, não posso falar, mas em breve muita coisa vai acontecer.

Valério fez duas delações em Minas Gerais. A primeira com a Polícia Federal mineira, em julho do ano passado, e a outra foi celebrada com a Polícia Civil de Minas, na semana passada, conforme adiantou a RecordTV Minas. Com o Ministério Público, as tratativas foram iniciadas, mas não prosperaram. Na época, procuradores alegaram que ele não havia trazido novidades.

Para PF, ele delatou autoridades com foro privilegiado no (STF) Supremo Tribunal Federal. Já para Polícia Civil, revelou irregularidades em estatais do governo mineiro e de licitações, entre elas, da Cidade Administrativa.

Ex-sócio das agências de publicidade SMPB e DNA, Valério é acusado de ser operador financeiro do mensalão do PT e do mensalão tucano. Pelo mensalão petista foi condenado a 37 anos de cadeia. Já o processo do mensalão tucano ainda não teve sentença.

Nesta terça-feira, Valério prestou o segundo depoimento para Polícia Civil, na condição de delator.

Em nota, o PSDB-MG informou ter protocolado petição no Ministério Público de Minas Gerais para que seja investigada a procedência de notícias de que a Polícia Civil estaria negociando um acordo de delação premiada com Marcos Valério. O partido alega que Valério está associado ao governo do PT para perseguir adversários políticos e lembra que a proposta de delação premiada dele foi recusada pela PGR e pelo MPMG pela falta de credibilidade das informações e do próprio delator.

O partido informa ainda que caso se confirme a suposta delação, objeto de vazamento, nos termos do que vem sendo publicado pela mídia, ficará provado que Valério mais uma vez está mentindo, o que deveria impor ao delator novas punições, além da perda de eventuais benefícios acordados.

 

Reportagem Ezequiel Fagundes

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