Morador da Rocinha morre após ser baleado com filho no colo

Um morador morreu após ser atingido por um tiro na Rocinha, zona sul do Rio, nesta quinta-feira (29). Segundo parentes, Deivison Farias de Moura, de 28 anos, segurava o filho recém-nascido, na varanda de casa, quando foi baleado. A vítima chegou a socorrida para UPA (Unidade de Pronto Atendimento) Vila Verde, mas não resistiu aos ferimentos.

Em nota, a UPP (Unidade de Polícia Pacificadora) da Rocinha afirmou que policiais do Batalhão de de Choque patrulhavam a localidade conhecida como Vila Verde quando ouviram disparos. No entanto, ainda de acordo com a polícia, não houve revide. Em seguida, os agentes receberam informação sobre um homem baleado.

Por telefone, o irmão contou que Deivison era pescador e estava limpado peixes minutos antes de ser atingido na barriga.

A família estava, por volta de 19h, na Delegacia da Rocinha (11ª DP) para fazer o registro da ocorrência.

12 mortos na comunidade

Com mais este caso, chega a 12 o número de mortos em decorrência da violência na Rocinha em apenas oito dias.

Na quarta-feira (21), o policial militar Felipe Mesquita, de 28 anos, e o morador conhecido como Seu Marechal morreram durante um tiroteio entre policiais e criminosos.

No sábado (24), oito corpos foram encontrados na comunidade após novos confrontos. A PM afirmou que seis deles eram suspeitos. Porém, algumas famílias, como a do jovem Matheus Silva, negaram envolvimento dos mortos com o tráfico de drogas. A Polícia Civil abriu inquérito para investigar os casos e recolheu as armas dos policiais militares para perícia.

Na segunda (26), outro homem foi morto durante um tiroteio na comunidade.

Guerra do tráfico

Desde setembro de 2017, a Rocinha é alvo de operações constantes em razão de uma guerra entre traficantes pelo controle da venda de drogas na comunidade.

Segundo o Disque Denúncia, um dos líderes da Rocinha é o traficante Leandro Pereira da Rocha, conhecido como “Bambú”, de 28 anos.

Ele responde por diversos crimes como tráfico de drogas, associação para a produção e tráfico, dano qualificado, resistência, homicídio qualificado, roubo majorado e crimes do sistema nacional de armas. Além disso, constam três mandados de prisão contra Leandro.

Mais de 100 presos

Em pouco mais de seis meses após o reforço na segurança, mais de 50 pessoas morreram na Rocinha. Segundo o balanço da Polícia Militar, a maior parte das vítimas (48) seriam criminosos. Houve ainda a morte de dois policiais militares, um morador e uma turista espanhola.

Foram registrados ainda a prisão de 105 pessoas e apreensão de 22 menores.

Entre 18 de setembro e a manhã desta segunda, mais de 110 armas foram apreendidas. Entre elas três submetralhadoras, seis espingardas, 39 fuzis e 65 pistolas, além de 71 granadas e mais de duas toneladas de drogas.

 

Reportagem Bruna Oliveira

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