Queluz, SP quer reabrir museu em homenagem a matemático Malba Tahan

Prefeitura de Queluz quer receber acervo de Malba Tahan (Foto: Prefeitura de Queluz/Reprodução)

Prefeitura de Queluz quer receber acervo de Malba Tahan (Foto: Prefeitura de Queluz/Reprodução)

 

Após adquirir o imóvel do Centro Cultural Malba Tahan, alvo de um processo trabalhista desde 2014, a Prefeitura de Queluz (SP) informou que quer retomar itens do acervo do matemático – personagem criado pelo professor Julio Cesar de Mello e Souza – para compor a unidade. A família dele informou que o acervo foi doado a uma universidade. A instituição foi procurada pela reportagem e descartou a possibilidade da prefeitura conseguir reaver os itens. (leia mais abaixo)

Conhecido pela autoria do livro ‘O homem que calculava’, o professor Julio, nascido no Rio de Janeiro em 1895, morou por onze anos – entre 1895 e 1906 – em Queluz, onde passou a infância. Na adolescência, voltou para o Rio, cidade de seus pais. Pela passagem por Queluz, foi homenageado tendo seu nome dado ao centro cultural.

De acordo com a prefeitura, o casarão já abrigou itens do acervo dele, como documentos e objetos pessoais. Esse acervo foi passado para a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) em 2010.

A reportagem apurou que antes da doação à universidade, a prefeitura teve dificuldade em resguardar os itens do matemático. O material chegou a ficar uma época abrigado na casa de uma neta dele, que cuidou do material.

Professor Julio Cesar de Mello e Souza nasceu em 1895 e faleceu em 1974 (Foto: Centro de Memória da Educação Unicamp/Reprodução)

Professor Julio Cesar de Mello e Souza nasceu em 1895 e faleceu em 1974 (Foto: Centro de Memória da Educação Unicamp/Reprodução)

Pedido

Com a posse da área, a prefeitura planeja pedir à família alguns itens para a unidade de Queluz. “Vamos procurar a família e tentar receber esse acervo, afinal ele faz parte da história da cidade”, disse o prefeito Laurindo (PSDB). Ele disse que agora a prefeitura teria condições de cuidar da manutenção e segurança do espaço.

O local já abriga atividades da administração: um museu da revolução de 1932, outro da história de Queluz e um terceiro do judiciário. Oficinas da área de educação devem passar a acontecer no local.

A área pertencia à Santa Casa e virou alvo de um processo na Justiça em 2014, movido pelos ex-funcionários da unidade, que ficaram sem receber direitos trabalhistas. A avaliação inicial apontou que o casarão valia R$ 1,2 milhão. Após um leilão sem interessados, a Justiça aceitou a proposta da prefeitura para comprar o imóvel por R$ 400 mil. O dinheiro, depositado em juízo, deverá ser destinado ao pagamento dos ex-trabalhadores.

Professor ficou conhecido por livro que simplifica aprendizado de matemática (Foto: Site Malba Tahan/Divulgação)

Professor ficou conhecido por livro que simplifica aprendizado de matemática (Foto: Site Malba Tahan/Divulgação)

Malba Tahan

O matemático foi a ferramenta encontrada pelo professor professor Julio Cesar de Mello e Souza para ensinar matemática de forma descomplicada para as pessoas.

O livro mais conhecido do escritor conta a história de um calculista, que resolve desafios. Na sua trajetória, ensina curiosidades e temas relacionados à matemática.

Um pedido oficial para negociar a reabertura do museu deve ser enviado pela prefeitura à família do matemático.

A reportagem procurou a neta dele, Renata de Faria Pereira, que atendeu a reportagem por telefone, mas preferiu não ter publicada a entrevista para repercutir a intenção da prefeitura. Ninguém da administração municipal havia feito contato com ela até a última semana.

A Unicamp, atual gestora do acervo, informou por email que como foram aplicados recursos públicos na organização do acervo de Maba Tahan e, por isso, não há viabilidade institucional para que o acervo ou partes dele sejam retirados do Centro de Memória da Educação da Unicamp.

Professor Julio (no centro da foto) em Queluz, onde passou a infância (Foto: Centro de Memória da Educação Unicamp/Reprodução)

Professor Julio (no centro da foto) em Queluz, onde passou a infância (Foto: Centro de Memória da Educação Unicamp/Reprodução)

Já adulto, o professor recebia como presente esculturas de sapos (Foto: Centro de Memória da Educação Unicamp/Reprodução)

Já adulto, o professor recebia como presente esculturas de sapos (Foto: Centro de Memória da Educação Unicamp/Reprodução)

Fonte: G1

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