Dezesseis cidades da região estão em alerta ou com risco de surto para doenças do Aedes

Segundo o Ministério da Saúde são nove cidades com risco de surto e outras sete em alerta contra dengue, zika e chicungunya; confira quais e as ações preventivas que têm adotado.


Aedes aegypti possui o corpo preto e com manchas brancas (Foto: Pixabay/Divulgação)

Aedes aegypti possui o corpo preto e com manchas brancas (Foto: Pixabay/Divulgação)

 

O Ministério da Saúde apontou que 16 municípios do Vale do Paraíba e região estão com risco de surto ou em alerta para dengue, zika e chihungunya. As situação mais crítica, segundo o governo, é de Guaratinguetá, Caçapava e Aparecida.

A informação é de um levantamento divulgado na quinta-feira (7) após monitoramento para o Aedes aegypty, transmissor das doenças, em 5,1 mil municípios do país. Os resultados de 41 municípios da região constam neste levantamento, que foi feito de janeiro a 15 de março.

Os indicadores que apontam a situação de cada município têm como referência o Levantamento Rápido de Índices de Infestação pelo Aedes Aegypt (LIRAa) – um dos indicadores para projetar uma possível epidemia.

Municípios em risco têm índices acima de 4 – na prática, eles sinalizam que focos do mosquito foram encontrados em quatro ou mais imóveis a cada 100 fiscalizados.

Na região são nove municípios com risco de surto das doenças:

Cidades com risco de surto de doenças

Guaratinguetá (7,4) Caçapava (7) Aparecida (5)
São Sebastião (4,8) Pindamonhangaba (4,7) Lorena (4,7)
Caraguatatuba (4,6) Taubaté (4,5) Ubatuba (4,2)

O indicador de alerta foi dado sete cidades, entre elas São José dos Campos. Elas tem índice entre 1 e 3,9 no LIRAa.

Cidades em alerta contra o Aedes

Cruzeiro (3,5) Ilhabela (3,2) São José dos Campos (1,1)
Lavrinhas (1,1) Cachoeira Paulista (1,1) Jacareí (1)
Queluz (1)

Tiveram índice acima de 1, mas ainda considerado satisfatório, Tremembé (0,7), São Luiz do Paraitinga (0,36), Paraibuna (0,5), Bragança Paulista (0,4), Bananal (0,4), Areais (0,3), Nazaré Paulista (0,3), Potim (0,2), Roseira (0,2) e Piquete (0,1). As demais cidades tiveram índice zero.

Nestas cidades onde há risco de surto ou alerta, o Ministério da Saúde recomenda intensificação das ações contra o mosquito a partir de agora, durante o outono e inverno.

Prevenção

Por causa do risco de surto, as prefeituras informaram as ações que adotam para tentar reduzir os indicadores de infestação de larvas do mosquito.

  • Guaratinguetá

A prefeitura informou que neste ano não registrou casos positivos de dengue, zika e chikungunya. Para evitar surto no próximo ano, o governo informou que faz visitas periódicas casa à casa para tentar diminuir a densidade do Aedes.

“A equipe de controle de vetores trabalha de forma a identificar focos do vetor”, diz trecho da nota.

  • Caçapava

A prefeitura informou que contabilizou neste ano 10 casos de dengue, sendo oito autóctones. O governo informou que faz constantemente ações preventivas contra o Aedes, sendo visita nas casas, palestras, campanhas e eventos.

“Quando da ocorrência de um caso positivo na cidade inicia-se a aplicação de inseticida para a contenção”, diz trecho da nota.

  • Aparecida

A prefeitura informou que contabiliza dois casos de dengue neste ano, sendo um contraído na cidade e outro importado. Não há notificações de zika ou chicungunya.

A Secretaria Municipal de Saúde informou que faz ações para a prevenção contra o Aedes. Entre as atividades estão visita a imóveis, a pontos estratégicos, bloqueio contra criadouros e nebulização.

Sobre o indicador apontado pelo Ministério da Saúde, a prefeitura disse que caiu para 3,4 em abril, o que coloca o município em alerta para risco de epidemia. Os bairros com maior índice são Ponte Alta, Santa Rita, Centro e Jardim Paraíba.

  • São Sebastião

A prefeitura informou que soma 25 casos confirmados de dengue neste ano. Os casos de zika e chicungunya não foram informados. Sobre o combate aos vetores, o governo informou que “são feitas ações constantes durante todo o ano nos bairros da cidade”.

  • Pindamonhangaba

A prefeitura informou estar surpresa pelo Ministério da saúde incluir Pindamonhangaba como cidade de risco. Segundo a administração municipal, o índice de densidade larvária caiu de 6,5 para 1,7. A cidade contabilizou neste ano 26 ocorrências de dengue e nenhum caso de zika e chicungunya.

Sobre as ações contra o Aedes, a administração municipal informou que equipes circulam pela cidade entregando panfletos aos moradores de casa em casa, com visitas ao interior do imóvel e orientação sobre objetos que possam servir de criadouros para o mosquito. Além disso são feitas ações educativas em escolas e praças.

  • Lorena

A prefeitura informou que não teve neste ano nenhum caso de dengue, zika ou chicungunya.

A administração municipal informou que faz ações pontuais contra o Aedes, de acordo com as notificações de casos suspeitos. Também são feitas campanhas de orientação periodicamente para conscientizar sobre a responsabilidade dos munícipes sobre a limpeza do imóvel e arredores.

A Secretaria de Saúde, por meio da equipe de Controle de Vetores realiza ações pontuais, mediante notificações de casos suspeitos. Além disso, campanhas de orientação são realizadas periodicamente afim de conscientizar as pessoas sobre a responsabilidade de cada munícipe a manter a limpeza de seu imóvel e seus arredores.

Também trabalhamos em parceria com outras secretarias, como Educação, Comunicação, Meio ambiente, Obras entre outras, para que possamos realizar ações de educação em saúde e mutirões, quando avaliada necessidade e riscos.

  • Caraguatatuba

A Secretaria de Saúde de Caraguá informou que de janeiro a maio de 2018, a cidade contabilizou oito casos de dengue, um importado de chicungunya e nenhum de zika.

A pasta informou que os agentes de controle de zoonoses fazem visitas casa a casa de segunda à sexta-feira, vistorias quinzenais em pontos estratégicas, como borracharias e ferro-velhos; seguidos de bloqueio de criadouros e aplicação de inseticida para casos suspeitos e confirmados. Foram contratados a partir de 30 de maio mais 12 agentes de controle de zoonoses para reforçar a equipe, que já conta com 25 pessoas.

O biólogo do Centro de Controle de Zoonoses, Ricardo Fernandes, diz que apesar do alerta do ministério, a cidade tem tido melhorias nos indicadores medidos pelo índice de Breteau – que determina a infestação do mosquito. Segundo ele, o índice de abril resultou em 2.

“Esta situação ainda é de alerta, ou seja, temos que cuidar. Mas, somente acima de 3,5 é que consideramos situação de risco. O que não é o caso de Caraguatatuba”, afirmou em nota.

  • Taubaté

A prefeitura informou que neste ano contabiliza 26 casos positivos de dengue e quatro de chicungunya, sendo apenas um autóctone (contraído na cidade).

A Vigilância Epidemiológica contesta a informação do Ministério da Saúde e diz que, em março, o Liraa foi menor, de 3,5. “Estamos em alerta, as ações não param desde o começo do ano para que esse quadro se reverta e o município não venha a enfrentar uma situação de surto ou até mesmo epidemia”, disse José Antônio Cardoso, coordenador do Controle de Animais Sinantrópicos.

  • Ubatuba

A Prefeitura de Ubatuba informou que foram confirmados neste ano na cidade sete casos de dengue e 32 aguardam resultado. A prefeitura aguarda o resultado de um exame de suspeita de chicungunya. Não há casos de zika em 2018.

A supervisora da Vigilância em Saúde, Patrícia Sanches, informou que o órgão tem adotado ações de monitoramento de infestação e eliminação de criadouros.

“Em áreas não infestadas, no nosso caso, a região norte do município e parte da região sul, fazemos armadilhas em pontos estratégicos e visitas periódicas. E em áreas infestadas, como Ipiranguinha, região central, Perequê-Açu e parte da região sul, fazemos o trabalho casa a casa, passando mensalmente em todas as casas e estabelecimentos comerciais, orientando e eliminando criadouros”, disse em nota.

Há também outras ações previstas quando há casos suspeitos, como bloqueios e nebulizações. “No período do ano em que o número de ocorrências diminui, atuamos com mais intensidade na parte de prevenção e educativa”, concluiu.

  • Cruzeiro

A Secretaria de Saúde de Cruzeiro informou que de a 8 de junho foram contabilizados três casos positivos de dengue, sendo um importado e um caso de chikungunya. Não houve registro de zika.

“A Vigilância Epidemiológica do município tem trabalhado de forma determinada na busca por focos do Aedes aegypti e com equipes de visita às casas. Além disso, a prefeitura tem insumos suficientes para o atendimento na cidade, adquiriu mais um veículo com 10 bombas pulverizadoras para auxiliar na prevenção e combate aos mosquitos que transmitem as doenças”, disse em nota.

  • Ilhabela

A prefeitura informou que o município contabilizou 29 casos de dengue neste ano. Nenhuma ocorrência de zika ou chicungunya foi registrada.

A administração municipal disse que adora medidas preventivas contra os criadouros do Aedes, tais como visita a imóveis, inclusive de veraneio, aplicação de inseticidas, visita a pontos comerciais estratégicos, como depósitos e oficinas mecânicas, mutirões de limpeza, semana de coleta de pneus e ações educativas nas escolas e bairros.

  • São José dos Campos

A Prefeitura de São José dos Campos contabiliza neste ano 147 casos de dengue, sendo 27 importados. Outros sete aguardam resposta. Uma ocorrência de zika foi confirmada em 2018 e nenhuma de chicungunya.

A administração municipal fez duas avaliações de densidade larvária. Com base nos dados obtidos nessas avaliações, são definidas asformas de combate às doenças.

“A prefeitura mantém suas equipes em alerta, realizando diariamente ações de prevenção por meio do Centro de Controle de Zoonoses. Entre essas ações estão visita casa-a-casa e a pontos estratégicos, bloqueio de controle de criadouros e nebulização”, disse em nota a Secretaria da Saúde.

  • Lavrinhas

Nenhum caso foi registrado das doenças citadas este ano. Nenhum caso confirmado e nenhum em investigação.

A prefeitura está investindo em campanhas e informativos para conscientizar a população, bem como visitas periódicas dos agentes de saúde nas casas.

  • Jacareí

Jacareí contabiliza neste ano 22 casos positivos de dengue e nenhuma ocorrência de zika e chicungunya.

Entre as ações de controle de vetor estão orientação, visitação casa a casa para eliminação de criadouro e orientação, aplicação de produtos biológico para controle biológico e inseticida.

  • Cachoeira Paulista e Queluz

A reportagem aguarda o retorno das prefeituras de Cachoeira Paulista e Queluz.

Nove cidades da região têm risco de surto de doenças causadas pelo Aedes

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