Acusado de forjar flagrante de tráfico em Roseira, SP é condenado a nove anos de prisão

Vítima, comerciante ficou preso injustamente por 100 dias em 2016. Condenado respondia pelo crime em liberdade e foi preso após a decisão na última quinta (14).


José Luiz da Silva Bueno foi inocentado após cem dias preso (Foto: Carlos Santos/G1)

José Luiz da Silva Bueno foi inocentado após cem dias preso (Foto: Carlos Santos)

O acusado de ‘plantar’ drogas no carro de um homem em Roseira (SP) foi preso nesta terça-feira (19). Idélio Rodrigues da Cruz foi condenado a nove anos de prisão por forjar um flagrante de tráfico de drogas contra um desafeto – o homem ficou preso por cem dias injustamente. Antes do julgamento, Cruz respondia pelo crime em liberdade.

A Justiça ainda condenou o comparsa de Cruz, contratado por ele para colocar droga no veículo da vítima, a sete anos de prisão. O homem vai responder em liberdade.

O caso aconteceu em março de 2016, quando José Luiz Bueno, de 47 anos, foi flagrado pela PM com cem pinos de cocaína escondidos no banco traseiro de seu carro, além de R$ 1.137 mil em dinheiro. Ele foi preso em flagrante e começou uma luta juto a família para provar sua inocência enquanto respondia pelo crime preso.

Segundo a apuração da Polícia Civil, o crime foi forjado a mando de Idélio que contratou um homem para plantar as drogas e o dinheiro no carro de José Luiz enquanto ele prestava um serviço de instalação de antena, ramo que trabalhava na cidade.

José Luiz foi solto em Junho de 2016, quando um novo inquérito foi aberto contra os dois envolvidos na armação.

Julgamento

Idélio foi condenado a nove anos e três meses de prisão e o comparsa a sete anos e oito meses. A decisão da justiça saiu no última quinta-feira (14) e impôs que o mandante fosse preso já com decisão em primeira instância. O comparsa vai poder recorrer da decisão em liberdade.

“É preciso que o acusado sinta um pouco do gosto amargo da prisão para que possa refletir e, talvez, arrepender-se, do mal praticado. Isso, por certo, não equivale nem a uma fração do sofrimento do ofendido, pois ao contrário do acusado ele foi preso por um crime que jamais cometeu”, concluiu o juiz Luiz Henrique Antico.

Mudança de vida

Depois do caso, José Luiz Bueno deixou a cidade e mudou-se com a família, abandonando o comércio que tinha e única fonte de renda da família. Mesmo depois de solto, Bueno alega que o boato se espalhou pela cidade e que não conseguiu reverter a imagem de ‘traficante’.

“Apesar da demora, eu me sinto um vencedor porque sempre fui honesto e trabalhador. Ele ser preso é limpar a minha imagem e mostrar que a Justiça foi feita. Que sirva de exemplo para quem pretende incriminar pessoas inocentes”, afirmou José Luiz.

Antes da condenação criminal, Idélio foi condenado a indenizar em R$ 250 mil a vítima. O judiciário entendeu que não cabia ressarcimento por parte do Estado, já que não houve erro na condução do processo. O acusado recorreu da decisão e o processo ainda tramita.

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