MPF fecha o cerco da CSN e multinacional quanto ao monte de rejeito estocado em Volta Redonda, RJ

O Ministério Público Federal (MPF) de Volta Redonda-RJ estuda exigir da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) e da multinacional Harsco Metals, que custeie o tratamento de saúde para população afetada pelo pó da montanha de escória do depósito no bairro Brasilândia.

Em nota, o MPF destaca que depois de uma vistoria feita no dia 04 de julho, na montanha de rejeitos de Altos-Fornos e Aciaria da empresa, “está avaliando o perigo de contaminação e dano à Área de Proteção Ambiental Permanente (APP)”, há menos de 50 metros do leito do Rio Paraíba do Sul, que abastece 12 milhões de cariocas e fluminenses.

A procuradora da República, Marcela Biagioli, acompanhou a visita feita por deputados das comissões de Saúde, Saneamento Ambiental e de Meio Ambiente da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj) que anunciaram a criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI). Vereadores da cidade foram impedidos de entrar na visita e marcaram para do próximo dia 12 (quinta-feira) uma audiência pública para discutir o assunto. A audiência será na Câmara Municipal.

“O MPF estuda medidas para responsabilizar a CSN, a Harsco e o Instituto Estadual do Ambiente (Inea), entre as quais, recomendação (para a solução dos problemas); assinatura de Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) e ação civil pública”, segundo uma reportagem publicada pelo semanário Folha do Aço.

Representantes da CSN e da Harsco serão ouvidos esta semana pelo MPF. Um cronograma será estabelecido para retirada e destinação da escória, por sugestão do Movimento Baía Viva, que ainda estuda a obrigatoriedade de recuperar a área contaminada.

Segundo apontam as vistorias, as pilhas de material, que pode chegar a 30 metros de altura, afetam 15 mil habitantes de seis bairros ao entorno do depósito. O MPF-VR aceitou a denúncia feita pela ONG Associação Homens do Mar (Ahomar) e abriu a investigação. Moradores reclamam de problemas respiratórios e alérgicos.

– Eles deviam mesmo pagar o tratamento da minha filha de outros moradores afetados. Estamos investigando com os médicos se a causa do problema da minha filha. Porque o monte de escória fica há 50 metros da minha casa”, destaca um morador vizinho ao depósito.

Habitantes Protestam

REDES SOCIAIS

A concentração de pó e a poluição no restante da cidade vem mobilizando as pessoas nas redes sociais. Moradores tem reunido o pó que invade as casas e escrito as siglas da empresa. A CSN garante que a escória não é perigosa. Médicos discordam e afirmam que o pó pode provocar tosse, danos aos pulmões, eczemas, pneumoconiose moderada, faringite, laringite, conjuntivite. Além de queimaduras na mucosa da boca, esôfago e estômago.

– Esse pó de escória pode, sim, induzir e agravar diversas patologias alérgicas. Pneumonias sinusites, por exemplo, pode piorar muito – afirmou o alergista e imunologista, José Nereu Militão Filho.

 

Fonte: Sul Fluminense Online

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