Clínica onde falso radiologista foi preso por estupro não tem registro

A clínica odontológica onde falso radiologista foi preso por estupro de vulnerável, nesta nesta quarta-feira (18), na Zona sul da cidade de São Paulo, não tinha registro no Conselho Regional de Odontologiade São Paulo. Isso contraria as regras da profissão.

A Clínica Odonto Chessa funcionou normalmente na manhã desta sexta-feira (20) e recebeu pacientes. A equipe do SP1 tentou falar com os responsáveis pelo local, mas ninguém quis comentar o caso. Pela porta, uma pessoa que não se identificou disse: “O menino que está sendo julgado. Eu não tenho nada para falar com você.”

Nesta quinta-feira (19), em audiência de custódia, a Justiça converteu a prisão em flagrante em preventiva. Gabriel Chessa, de 19 anos, foi indiciado por estupro de vulnerável e exercício ilegal da profissão, porque mesmo sem formação, fazia exames de raio-x.

Gabriel Chessa foi indiciado por estupro de vulnerável e exercício ilegal da profissão (Foto: Reprodução/TV Globo)

Gabriel Chessa foi indiciado por estupro de vulnerável e exercício ilegal da profissão (Foto: Reprodução/TV Globo)

O caso

Duas meninas, de 12 anos, denunciaram o falso técnico. A primeira a denunciar, saiu da sala de exames e falou para a mãe que sofreu o abuso. A segunda, que esteve na clínica há duas semanas, denunciou o jovem após saber da prisão.

As duas vítimas contaram histórias parecidas. As meninas entraram sozinhas na sala de exame – as mães foram impedidas por falta de colete contra radiação – e sofreram abuso no momento em que fariam o molde dos dentes. Elas disseram que foram vendadas com um pano.

Segundo o delegado Julio Cesar de Almeida Teixeira, responsável pelo caso, Gabriel, de 19 anos, entrou em contradição durante o depoimento.

“Ele apresentava uma desculpa, essa desculpa vinha por terra, montava uma outra desculpa, então isso foi dando para versão dele cada vez um valor menor e nos foi deixando mais claro de que ele estava mentindo”, afirmou o delegado.

A mãe que denunciou o falso técnico disse que a filha saiu muito nervosa da sala de exame. “Cheguei perto dela, também não entendi muito bem o que estava acontecendo e ela falou ‘mãe, eu sofri um abuso e eu quero sair daqui agora’, levantou e saiu correndo.”

A polícia apreendeu o celular de Gabriel e pediu a quebra do sigilo telefônico.

Clínica Odonto Chessa não quis comentar caso de estupro (Foto: Reprodução/TV Globo)

Clínica Odonto Chessa não quis comentar caso de estupro (Foto: Reprodução)

 

Crimes sexuais em hospitais, clínicas e postos de saúde aumentam

Os crimes sexuais ocorridos dentro de estabelecimentos de saúde no estado de São Paulo, como hospitais e clínicas, aumentaram 19% em 2017 na comparação com 2016, apontam dados da Secretaria de Segurança Pública (SSP) obtidos com exclusividade pela GloboNews por meio da Lei de Acesso à Informação (LAI).

De acordo com a SSP, entre 2016 e 2017 os números passaram de 291 para 345 casos registrados, quase um por dia.

Os dados tabulados pela reportagem abrangem todos os delitos tipificados como crimes contra a dignidade sexual (arts. 213 a 234 do Código Penal), mais os termos circunstanciados de importunação ofensiva ao pudor (art. 161 da Lei de Contravenções).

São casos como o ocorrido em uma clínica odontológica no Ipiranga, bairro da Zona Sul da capital, neste ano. Um jovem de 19 anos que atuava sem registro como técnico de radiologia foi preso suspeito de abusar de ao menos duas meninas de 12 anos.

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