Empresa em Lorena, SP é um dos alvos da 30ª fase da Operação Lava Jato – A Gazeta

Empresa em Lorena, SP é um dos alvos da 30ª fase da Operação Lava Jato

Filipe Rodrigues e Poliana Lorena – A empresa Apolo Tubulars, fornecedora da indústria de petróleo e gás instalada em Lorena (SP), é um dos alvos da 30ª fase da Operação Lava Jato, deflagrada na manhã desta terça-feira (24). A Polícia Federal cumpriu mandados de busca e apreensão na unidade fabril, no bairro Jardim Novo Horizonte. A empresa também tem escritório comercial no Rio de Janeiro.

A suspeita é que a empresa esteja ligada ao repasse irregular de verbas a um grupo que tinha a participação José Dirceu, ainda quando ministro-chefe da Casa Civil.

De acordo com o MP, esta etapa investiga a possibilidade de pagamentos de R$ 40 milhões em propina a partir de contratos fraudulentos da Petrobras com fornecedoras de tubos, uma delas a Apolo. A outra investigada é a Confab, que apesar de manter uma unidade em Pindamomhangaba, não foi alvo de mandados na região nesta terça-feira.

“A Apolo e a Confab celebraram um ambiente de prática de corrupção. Os empresários pagaram propinas para prosperar. Os executivos da Apolo, em 2009, procuraram o operador financeiro Julio Camargo e pediram a ele um auxílio pra que fossem contratados pela Petrobrás. Julio Camargo buscou Renato Duque, então diretor de engenharia da Petrobrás e solicitou esse auxílio. Com isso a empresa obteve um contrato de 462 milhões de reais na estatal.”, disse o procurador Roberson Pozzobon em coletiva nesta terça-feira.

A empresa já havia sido citada na 17ª fase da Operação Lava Jato, quando Dirceu foi preso, o Ministério Público divulgou que a maior parte da renda do grupo ligado a Dirceu vinha de contratos fraudulentos da área de serviços compartilhados da Petrobras.

A Apolo Tubulars produz além de tubos para a indústria de petróleo e gás, para outros segmentos do setor de energia.

As equipes da Polícia Federal chegaram ao local no início da manhã  – o material recolhido no local não foi informado. Por telefone, o setor jurídico da Apolo Tubulars informou que colabora com as investigações e que não comentaria o assunto.

Por meio de nota, a Confab informou que “não tem evidências de que seus executivos tenham efetuado pagamentos ilegais para a obtenção de negócios com a Petrobras e que está colaborando com a investigação das autoridades”.

RESUMO DA 30ª FASE                                                       

A operação foi chamada de “Vício” e remete à sistemática de alguns servidores que aparentam não atuar de outra forma senão através de atos lesivos aos cofres públicos.

– Objetivo: corrupção, organização criminosa e lavagem de ativos.

– Mandados judiciais: dois mandados de prisão preventiva, 28 de busca e apreensão (16, segundo o MPF) e nove de condução coercitiva

– Presos preventivos: Flávio Henrique de Oliveira e Eduardo Aparecido de Meira, donos da empresa credencial.

– O que descobriu: uso de contratos fraudulentos com fornecedora de tubos que atingiram R$ 5 bilhões para pagamento de propina. Foram R$ 40 milhões em vantagem indevida.

“As investigações identificaram que uma construtora de fachada foi utilizada para viabilizar o pagamento de propina em diversos esquemas criminosos investigados na Operação Lava Jato, mediante a celebração de contratos ideologicamente falsos”, informou o MPF. Os procuradores afirmam que os presos são os sócios dessa construtora de fachada.

As investigações apontam para a utilização de transferências no exterior para uma offshore controlada por operador financeiro como mecanismo de ocultar rastros da propina.

A Polícia Federal afirma que são três grupos de empresas investigados. As propinas também teriam circulado pela Diretoria de Abastecimento da Petrobras.

Segundo os agentes, em outro procedimento, também estão sendo cumpridos mandados que buscam a apuração de pagamentos indevidos a um executivo da área Internacional da Petrobras em contratos firmados para aquisição de navios-sondas.

Os crimes investigados nesta etapa são corrupção, organização criminosa e lavagem de ativos. Os presos serão levados para a Superintendência da PF, em Curitiba.

O nome da operação, ainda de acordo com a PF, remete à sistemática, repetida e aparentemente dependente, da prática de corrupção por determinados funcionários da estatal e agentes políticos que aparentam não atuar de outra forma senão através de atos lesivos ao Estado.

“O termo ainda remete a ideia de que alguns setores do Estado precisam passar por um processo de desintoxicação do modo corrupto de contratar presente na ação de seus representantes”, declarou a PF.

 

Fonte: G1

Foto: Reprodução

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