A suma felicidade não se resume em um cochilo

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Para alguns povos indígenas a Terra tem alma e sente dor. É como se fosse um ser animado, igual a todos os seres vivos que habitam o Planeta.  Um pensamento que atravessa séculos.

As tribos, cada vez mais massacrados pelo agronegócio, não deixam de ensinar à sociedade, dia após dia, que a vontade de acumular cada vez mais e mais, obter o melhor pelo menor preço e vender o que puder pelo maior preço possível – pensamento aprimorado do famoso Pacto Colonial- não pode mais ser usado, o Planeta pede socorro, a sociedade está morrendo e o padrão de vida imposto por muitos está se desmoronando.

O mundo do século 21 exige rapidez e inovação. No Japão, cerca de 40% da população dorme menos de seis horas por dia, fazendo com que o cochilo em público seja um comportamento social aceito- conhecido lá como INEMURI.  

O sono continua sendo um dos mistérios da vida, Aristóteles, em 350 a.C perguntou O que fazíamos exatamente ao dormir? E Por que fazíamos? Já se passaram mais de dois mil anos e até agora ninguém chegou a uma resposta.

O que se sabe é que o sono é muito importante para vida humana, recarregar suas baterias e descansar sua mente. Servindo como um grande filtro de informações durante a noite, descartando o desnecessário e guardando o útil, ou seja, saímos da atividade de gravação e entramos na à tarefa de edição.

Uma prevenção de danos mental não seguida por muitos, segundo o próprio inventor Thomas Edson “o sono é […] uma hábito deplorável”.

O Brasil tem cerca de 70% da sua população com alguma doença relacionada ao sono. No país não há um estudo que mostre com clareza o quanto as entidades públicas gastam em saúde dentro do tema, mas a ciência apresenta doenças como diabetes, derrame, depressão e infartos são causados também por uma noite mal dormida. Estudos mostram que na segunda-feira pós-horário de verão há um aumento de 24% em registros de ataques cardíacos em comparação com outras segundas.

Nos Estados Unidos, Canadá, Reino Unido, Alemanha e Japão, o prejuízo por dormir mal chega aos 700 bilhões de dólares por ano.

Não é só isso, quando o ser humano deixa de ter uma noite de sono com qualidade, a primeira área afetada em seu cérebro é o córtex prefrontal. Campo que afeta diretamente as tomadas de decisão, além de deixar as pessoas mais irritantes e irracionais.

A evolução acompanhada da Revolução Industrial, determinando tempo de entrada, de saída, tempo livre e descanso acarretou à população uma carência de sono. Hoje aquele sono profundo não é alcançado por muitos.

O país chegou a casa dos 12 milhões de desempregados; a violência alcançando números estratosféricos, com índices mais altos que países em guerras; a saúde pública com uma crise aguda, em que há hospitais superlotados, falta de medicamentos, agora também não há médicos – mais que o normal, pois estamos sem os cubanos.

Tudo isso acarreta em problemas de saúde que afetam diretamente o sono e que por consequência afeta a saúde da população.

Médicos especialistas em sono afirmam que o corpo humano precisa passar por quatro fases repetitivas por noite.

A primeira que é uma etapa superficial, onde o corpo começa a adormecer. A segunda fase o corpo se torna menos ativo, não se consegue mais perceber o exterior, em que a temperatura interior cai e a frequência cardíaca diminui. A terceira e quarta fase se diferencial pelo porcentual de atividade cerebral.

Levado o corpo humano ao padrão de um paciente em coma. Nessas atividades ainda o corpo apresenta a quarta fase ou REM – sigla em inglês para Movimento Rápido dos Olhos- em que o batimento cardíaco e a pressão aumentam, os homens tem ereções e as mulheres contrações vaginais. Atividade considerada de suma importância, ponto em que ocorrem as loucuras noturnas e sonhos. Essas fases levam o corpo sempre ao sono profundo, sono que fazem as células do crescimento vingarem evitando a demência.

Demência que em 1901, já publicada na obra de Eça de Queiroz, A Cidade e as Serras, traz o Jacinto, personagem central, que vive na época das inovações em Paris, inteiramente em dia com todos seus avanços tecnológicos, mas mesmo assim era infeliz- não contarei a obra- mas, ao ir para fazenda com seu amigo Zé Fernandes encontra a “suma felicidade”.

Assim como Jacinto, é qualquer um que está lendo ou não este artigo, o corpo precisa da suma felicidade, e esta felicidade está no sono profundo, que em um sono bem dormindo os resíduos metabólicos – BETA-AMILOIDE- que se acumulam nos neurônios são desfeitos e evitam o Alzheimer.

Por isso, não precisamos abandonar toda tecnologia e os melhoramentos do século, pois nem Jacinto fez isso. Contudo, precisam-se medir os malefícios e pensar em nós. As perguntas de Aristóteles ainda não foram respondidas, entretanto, já se passaram mais de dois mil anos.

A ciência avançou, a filosofia melhorou e a medicina tem certeza que dormir é importante. Por isso, o questionamento que tem que ser feito não é por que dormimos, mas por que não dormimos, mesmo sabendo dos benefícios?

Ítalo Mantovani –  Graduado pela USP, no curso de Gestão de Políticas Públicas.Mestrando em Gestão e Desenvolvimento Regional, Professor no Cursinho da USP/EACH em São Paulo, na matéria de História do Brasil.  

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