Cachorro Manchinha e o passado brasileiro

Normalmente meus textos falam da gestão pública brasileira, nos tempos de hoje.

Entretanto, há alguns anos li um livro chamando Holocausto Brasileiro. Que me fez refletir muito sobre o assunto da semana: o cachorro morto pela empresa de hipermercados Carrefour.

Assim, na e época de Natal, nada melhor que um presente para meditarmos sobre o passado, melhorar o presente para alcançar um futuro com sucesso rodeado de políticas públicas com qualidade.

No artigo desta semana trago uma breve sinopse sobre o livro. Obra em que os considerados incômodos aos olhos da sociedade também levavam o mesmo fim que o cachorro Manchinha.

Não conhecendo nosso passado, nos tornamos cúmplices de crimes que acontecem diariamente diante de nós, como a jornalista Daniela Arbex fala “enquanto o silêncio acobertar a indiferença à sociedade continuará avançando em direção ao passado de barbárie”.

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Dados do Ministério da Saúde apontam quem 12% da população brasileira, 22 milhões de pessoas, necessitam de algum atendimento em saúde mental.

Há 1.620 Centros de Atenção Psicossocial instalados no país, isso deixa muito longe o indicador do CAPS, que é um centro para cada 100 mil habitantes.

Com esses dados podemos falar sobre o livro Holocausto Brasileiro: vida genocídio e 60 mil mortes no maior hospício do Brasil, escrito pela jornalista Daniela Arbex, da editora Geração Editorial, publicado em 2013. 

Suas 256 páginas contam uma intrigante história dos sobreviventes de um holocausto em território brasileiro, que ocorreu em grande parte do século XX.

Essa história se passa no maior hospício do Brasil, na cidade de Barbacena em Minas Gerais, chamado Colônia.

  Uma leitura que te prende do prefácio até o décimo quarto capítulo. Mostrando a herança que o Colônia deixou para o país.

Em dados isso significa, mais de 60 mil mortes ocorreram dentro dos muros do hospício, no período de maior lotação uma média de 16 mortes por dia, e até na sua morte era lucrativo, pois na época de 1969 a 1980 foram vendidos mais de 1.800 corpos às faculdades do país.

Gerando mais de 600 mil reais de lucro, nos dias de hoje, para o hospício. O pior é que se estima que 70% da população que o hospício abrigou não tinham doença mental alguma, mas sim epiléticos, alcoólicos, homossexuais, prostitutas gente que se rebelava ou que se tornavam incomodo para alguém.

Estes indivíduos eram transportados do mesmo modo que os judeus no campo de concentração, por trens que não tinham volta.

Chegando lá, comiam ratos, bebiam esgoto ou urina, dormiam sobre capim, eram espancados e violados, de todos os meios desde abusos sexuais, até eletrochoques que às vezes eram tanto que chegavam a derrubar a energia da cidade.

Uma história que mostra mais uma intolerância social que produziu um massacre na memória brasileira.

Pessoas conhecidas mundialmente vieram ao hospício, como o italiano Franco Basaglia, que afirmou estar em um campo de concentração nazista.

            Nesse livro encontramos depoimentos de pessoas que: trabalharam; que foram internadas; passaram por lá; defenderam e lutaram para o termino de um hospício com capacidade para 200 pessoas, mas com 5 mil “pacientes”. Fora isso, encontramos desde como foi construído o hospício na cidade até como ele está se transformando em um museu.

            Em suma, esse livro nos traz um passado não tão distante. Um passado que não pode ser esquecido, e com ele podemos refletir que os campos de concentração, não estão muito além dos muros do hospício de Barbacena, mas encontramos também esses descasos nos hospitais públicos lotados que funcionam precariamente em muitas cidades do país, as prisões brasileiras que são temas de massacres, escolas públicas em que a capacidade de alunos por sala de aula está apenas no papel com o número ideal e a te mesmo o transporte público brasileiro.

De um modo em geral quando há um descaso se tornamos prisioneiros da realidade, o fato é que essa história que vale a pena ler é a nossa história.  

Apresenta a omissão coletiva não só do poder público, mas de muitos cidadãos que vivenciaram e apoiaram de forma direta ou indireta o descaso com o povo brasileiro.

Não esquecendo que a nossa sociedade de tão conservadora é incapaz de suportar diferenças, demonstrando através do hospício todo seu poder de opressão. Uma boa leitura.


Ítalo Mantovani –  Graduado pela USP, no curso de Gestão de Políticas Públicas.Mestrando em Gestão e Desenvolvimento Regional, Professor no Cursinho da USP/EACH em São Paulo, na matéria de História do Brasil.  

2 comentários em “Cachorro Manchinha e o passado brasileiro

  • 13 de junho de 2019 em 07:55
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