Consumo de álcool entre adolescentes preocupa autoridades em Barra Mansa, RJ

Recentemente, o Levantamento Nacional sobre o Uso de Drogas pela População Brasileira, divulgado pela Fundação Oswaldo Cruz, apontou dados alarmantes sobre o  consumo de álcool no Brasil, onde segundo pesquisa chega a ser superior ao consumo de drogas ilícitas.

Hoje, mais da metade da população, com idades entre 12 e 65 anos, já declarou ter consumido bebida alcoólica, ao menos uma vez na vida, e o que mais preocupa as autoridades é justamente a idade em que as pessoas tem iniciado esse consumo, ou seja, na adolescência.

Em Barra Mansa, a situação não é diferente do cenário nacional e, segundo informações  da Compod  (Coordenadoria Municipal de Políticas Públicas sobre Drogas), o aumento do consumo de álcool entre jovens e adolescentes já havia sido detectado, nos últimos meses.

Conforme explica o coordenador da Compod, César Thomé, embora não seja possível prever onde ocorre esse excesso do uso do álcool, seja em festas, praças, nos bairros, entre outros lugares, o que sinalizou o problema foi a demanda de pais buscando ajuda para os filhos nesta situação.

– É um problema que vem sendo registrado em todas as classes sociais e uma raiz que está crescendo em todos os meios, infelizmente. Para se ter uma ideia,  com relação a 2019 houve um aumento de 35% na procura por ajuda ou solicitação de palestras em escolas, devido ao uso de álcool por menores de idade – afirmou o coordenador.

Segundo ele, diante dessa demanda o Compod realizou algumas ações pontuais em lugares de aglomeração do púbico jovem e ambientes noturnos , como bares, pizzarias, restaurantes, entre outros, onde a equipe conversou e informou seus responsáveis sobre a lei estadual 6.153/12, que proíbe a venda e consumo de bebidas alcoólicas para menores de 18 anos, sob pena de prisão e fechamento do estabelecimento.

– Os donos de estabelecimentos onde se venda bebida alcoólica devem ficar atentos para não venderem para menores, mas é preciso que os paios também fiscalizem seus filhos. Os adolescentes estão começando a beber cada vez mais cedo e eu, por exemplo, já encontrei uma menina de 12 anos sob forte efeito do álcool através da solicitação da própria mãe, que nos pediu ajuda. É assustador como foi crescente o aumento do consumi de álcool entre o público feminino  – disse o coordenador, ao acrescentar que as bebidas mais consumidas pelos adolescentes é vodka com energéticos, vinho e até cachaça.

Drogas

Conforme destaca César Thomé,  o  uso abusivo de álcool é a porta de entrada para outras drogas e, por essa razão, os pais precisam falar mais sobre esse tema com seus filhos. Segundo ele, embora muitos ainda tenham certa dificuldade, a conversa sobre esses assuntos deve ser franca e esclarecedora.

–  Se eles não forem os melhores amigos de seus filhos, na rua eles irão encontrar pessoas que talvez não sejam boas referências. Esse tema não pode ser terceirizado e, por isso, sempre que somos procurados, deixamos os adolescentes e jovens falarem e sempre peço que sejam sinceros – ressaltou o coordenador.

De acordo com home, logo eu passam por essa “conversa”, que funciona como uma triagem, os adolescentes são encaminhados ao Capsi (Centro de Atenção Psicossocial) para que tenham um melhor acompanhamento de um profissional.

– A Compod tem como lema a bandeira da prevenção, que deve começar em casa. A internação em comunidade  terapêutica sempre será a nossa ultima alternativa – acrescentou o coordenador.

Nesta segunda-feira, dia 19, a coordenadoria promoverá o IV Fórum Municipal de Prevenção ao Uso Abusivo de Álcool. O evento será realizado às 8 horas no auditório do UBM (Centro Universitário de Barra Mansa) e, na oportunidade, órgãos governamentais e sociedade civil poderão debater sobre essa temática.

– Nossos trabalhos são contínuos. Sabemos que é uma dura tarefa  porém não podemos ser omissos diante do que estar por vir quando o assunto é o uso de álcool e drogas, principalmente, entre o público jovem e adolescente – finalizou o coordenador.

Pais 

Conforme ressalta a conselheira tutelar, Marinilda Silva, o consumo de álcool entre os adolescentes é preocupante e vem crescendo assustadoramente. Considerada uma situação grave, pelo órgão, a conselheira chama atenção para a responsabilidade dos pais que, muitas das vezes, além de não procurar saber o que o filho está fazendo, suas companhias, ainda dá o dinheiro, ainda que não saiba, que será usado para esse consumo.

– O número  de adolescentes consumindo bebida alcoólica tem crescido mesmo e está cada vez mais alarmante. Nossos jovens e adolescentes têm excedido muito em questão de álcool e eu acho que o que tem contribuído para isso são as festas que eles têm combinado entre si. Algumas festinhas onde não deveria ter bebida, mas que sabemos que é o que mais acontece e, inclusive, com o aval dos pais, que permitem e acham que é apenas “uma social”.  Uma social onde rola muito álcool – destacou a conselheira.

De acordo com ela, o Conselho Tutelar precisa da participação dos pais para prevenir esse consumo abusivo e, por esse motivo, o procedimento do órgão é chamar os pais para que tenham um aconselhamento em relação ao acompanhamento que devem dar a esse adolescente,  por meio de um programa da rede como, por exemplo, o Capsi ou Espaço Reviver.

– Eles têm que ser encaminhados a esses programas para ver se conseguem mudar esse caminho,  já que a tendência é que bebam cada vez mais., podendo ao seguirem para vícios maiores .O álcool não é regra, mas o início para o adolescente conhecer outras drogas. Antes que isso aconteça a gente conversa sério com os pais e os responsabiliza  para que acompanhem esse adolescente o mais rápido possível numa terapia, que pode ser com psicólogo do Capsi, ou também por acompanhamento do Espaço Reviver – concluiu a conselheira.

Foto: Ilustração

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