Vice assume a prefeitura após prefeito ser afastado do cargo em Caxambu, MG

Política – O vice-prefeito de Caxambu (MG), Carlos Alberto Abrahão (PMDB), conhecido como Beto da Nazira, assumiu nesta segunda-feira (11) a prefeitura da cidade.

A posse foi realizada após o afastamento do prefeito Ojandir Ubirajara Belini (PP), conhecido como Jurandir. A decisão foi tomada pela Câmara de Vereadores do município.

Abrahão diz que não participava da da administração de Belini há mais de um ano por divergências com o atual prefeito. Ele assume o cargo por pelo menos três meses, enquanto uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) investiga Belini por suspeitas de improbidade administrativa.

Abrahão deve se reunir nesta tarde com os secretários municipais para definir mudanças no governo. Por telefone, Belini informou que continua em São Paulo onde acompanha uma filha que está internada.

Ele disse também que deve retornar à cidade na próxima semana e que ainda tenta uma liminar na Justiça para suspender o afastamento.

Afastamento
A Câmara de Vereadores de Caxambu decidiu afastar Belini (PP) após votação realizada no dia 4 de julho. A decisão, que vale por 90 dias, foi tomada durante reunião e teve aprovação de 8 votos a favor e 3 contra.

Em junho, uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Câmara concluiu que o prefeito havia cometido o crime de improbidade. O motivo, segundo o relatório apresentado no dia 13, seria um acidente com o carro oficial da prefeitura em outubro de 2015.

Segundo o vereador que presidiu a CPI que investiga os supostos crimes, o afastamento seria uma medida de segurança. “Esse pedido foi feito por questão de ter mais tranquilidade na investigação, porque ele estando no cargo, eu acredito que ele pode atrapalhar”, diz o vereador Jean Carlos da Silva (PDT).

Ainda conforme o relatório realizado pelos cinco vereadores que compõem a comissão, Belini utilizou o veículo fora do horário de trabalho. No processo, também foi questionado o fato do prefeito estar sem motorista e um suposto sumiço do carro após o acidente.

O carro, comprado em 2013 por R$ 82 mil, estava avaliado em 2015 em pouco mais de R$ 65 mil. Dinheiro que os vereadores dizem que não foi devolvido aos cofres públicos.

Durante o período de afastamento, o prefeito deverá ser chamado na câmara para dar explicações sobre o acidente com o carro oficial. Dentro do prazo de 90 dias, a comissão de vereadores precisa apresentar um relatório pedindo a cassação do prefeito ou o arquivamento do caso.

Acidente
Em outubro de 2015, o prefeito sofreu um acidente na zona rural de Conceição do Rio Verde (MG). O carro em que Belini estava capotou e ele foi socorrido por pessoas que passavam pelo local.

O prefeito fraturou duas costelas e tomou 15 pontos na cabeça por causa do acidente, que aconteceu em um sábado à noite, quando o prefeito não estava no horário de trabalho.

Segundo a Câmara de Vereadores, não foi realizado um boletim de ocorrência e o veículo foi levado para um guincho em São Lourenço (MG). O município de Caxambu teria tido prejuízo com o pagamento do seguro, já que o carro foi comprado por R$ 82 mil e o valor pago pela seguradora foi de pouco mais de R$ 65 mil. O carro teve perda total.
Pedido para dirigir o carro

Em 2010, o Belini enviou um projeto de lei à câmara pedindo que ele fosse autorizado a dirigir o veículo. Um artigo proíbia a utilização do carro oficial para fins particulares, fora do horário de expediente. Mas os vereadores rejeitaram a proposta.

Apesar de Caxambu não ter uma lei que regulamente o uso de carros oficiais no município, o chefe de gabinete da câmara disse que o prefeito deveria estar acompanhado de um motorista, como determina uma lei federal. Já o procurador do município alegou que o prefeito estava sozinho por contenção de gastos.

Foto: Reprodução

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