Witzel diz que é ‘inaceitável’ frase de Bolsonaro que insinuou prisão do governador

O governador do Rio, Wilson Witzel, avaliou como “inaceitável” a frase do presidente Jair Bolsonaro da última quarta-feira (3), insinuando que o governador poderia ser preso após a Operação Placebo, que apura desvios na Saúde na cúpula do Poder Executivo.

“Eu não vou conversar com o Witzel. Até porque, brevemente, já sabe onde ele deve estar, né?”, disse Bolsonaro no dia 3.

Em entrevista à Rádio Gaúcha nesta sexta-feira, o governador rebateu.

“Agora, a frase do presidente. Eu quero deixar bem claro, né, que eu sempre tenho buscado o diálogo com ele. Independente das nossas diferenças, independente daquilo que ele pensa sobre mim. É algo que para um presidente da República, na liturgia do cargo, é inaceitável esse tipo de manifestação de que um determinado governador vai ser preso”, afirmou Witzel à Rádio Gaúcha.

O governador do Rio afirmou que ele não será preso e que quem deveria se preocupar com uma possível prisão é o presidente da República. O G1 pediu um posicionamento ao Planalto sobre a afirmação do governador, mas ainda não obteve resposta.

“Essa prisão que o presidente deseja pra mim não acontecerá, acho que ele ele tem que ficar mais preocupado com os atos que ele tem praticado e que, diante do que ele tem fazendo, tensionando com as instituições, afrontando a Lei de Segurança Nacional, sendo investigado por prevaricação, falsidade ideológica, interferência na PF, fake news, uso de dinheiro de caixa dois no TSE, quem tem que ficar preocupado com prisão, sinceramente, com todo respeito, pela avaliação que faço como jurista e como juiz que fui não sou eu. Acho que ele tem é que estar preocupado com a liberdade dele.”

Witzel nega crime

O Ministério Público Federal (MPF) afirma que os contratos dos hospitais de campanha são suspeitos e que há “prova robusta de fraudes”, com “provável envolvimento da cúpula do Poder Executivo fluminense”.

Witzel afirmou que Bolsonaro não tem “capacidade jurídica” para analisar a denúncia, que considerou “absurda” e “política”.

“Isso está me parecendo, mais uma vez, ressuscitar o assassinato de reputação de quem incomoda”, diz Witzel, que era aliado de Bolsonaro e rompeu ao anunciar que sonhava ser presidente da República.

Segundo o governador, o depoimento do ex-subsecretário de Saúde, Gabriell Neves, afirmou que nunca esteve reunido com Witzel para tratar dos contratos sob suspeita.

O depoimento dele foi feito por um promotor que não é ligado ao caso e se declarou suspeito num caso contra o senador Flávio Bolsonaro, de quem é próximo.

Arquivo: Jair Bolsonaro e Wilson Witzel na Comemoração do Dia da Vitória — Foto: Philippe Lima/Divulgação/Governo do Estado

Foto: Philippe Lima/Divulgação/Governo do Estado