Chefe de gabinete de secretário do RJ é réu na Justiça por improbidade

Depois de exonerar dois presidentes de fundações por suspeitas de irregularidades – um deles o próprio irmão –, o secretário de Ciência e Tecnologia do Rio de Janeiro, Leonardo Rodrigues, tem mais um problema: o chefe de gabinete, um cabo da PM, é réu na Justiça.

O PM Felipe Rafael Cavalcanti é o “zero dois” da pasta. Ele tem várias fotos ao lado de Leonardo Rodrigues, chefe e amigo. Os dois estiveram juntos, inclusive, no carnaval, no camarote do governo do estado. Atualmente, Felipe Cavalcanti é réu por dano ao erário e improbidade administrativa.

A ação civil pública foi movida depois que o Ministério Público (MPRJ) descobriu que, em 2013, Felipe, cabo da Secretaria de Polícia Militar, acumulou a função com o cargo de superintendente de Nilópolis, na Baixada Fluminense. Na época, o prefeito da cidade era Alessandro Calazans, do MDB.

De acordo com o MP, Felipe Cavalcanti estava cedido à Assembleia Legislativa do Rio (Alerj) e acumulou, na mesma época, no mínimo, duas funções públicas. Ele também recebia remuneração por ambas as funções, sem estar de licença, e preencheu documento em Nilópolis omitindo que estava cedido à Alerj, o que os promotores apontam ser ilegal.

O processo já corre há quase 2 anos. Até agora, Felipe não foi encontrado para receber a comunicação de que virou réu no caso. Os oficiais de Justiça tentaram, mas não conseguiram encontrar o PM em endereços atribuídos a ele na Baixada Fluminense.

Num deles, em Nilópolis, os oficiais estiveram várias vezes, em horários diferentes, e sempre encontraram a porta da residência fechada, aparentemente vazia. Em outro, em Mesquita, também na Baixada, o agente encontrou uma loja de armas e munições.

Enquanto isso, Felipe Cavalcanti continua presente nas redes sociais e atuante como primeiro tesoureiro do diretório estadual do PSL. Além disso, mantém amizade com os deputados do partido.

Em um vídeo exibido ele aparece junto dos deputados Rodrigo Amorim e Daniel Silveira, que durante a campanha quebraram a placa em homenagem à vereadora Marielle Franco, assassinada há dois anos.

Por Pedro Figueiredo