Na pior fase, relação Bolsonaro e Mourão vive clima de ‘conspiração’

A relação entre Jair Bolsonaro (sem partido) e o vice-presidente, Hamilton Mourão, vive a pior fase desde o começo da gestão do presidente da República. A avaliação é de assessores presidenciais ouvidos dizem que enxergam um “clima de conspiração” no entorno do presidente e do vice, principalmente sobre a arquitetura de um eventual impeachment.

Esses interlocutores do governo avaliam que Bolsonaro vem aproveitando declarações públicas para sinalizar que, em 2022, terá outro candidato a vice-presidente e, por isso, acreditam que Mourão passou a externar a irritação por não participar mais do governo, mas sem patrocinar uma ameaça de impeachment.

“Eles têm duas saídas agora: ou sentam e resolvem ou viverão de aparências até 2022”, disse um militar a reportagem.

Ontem, a revelação do site O Antagonista de que um assessor de Mourão estaria sondando deputados para tratar do impeachment reforçou as teorias bolsonaristas de que o vice trabalha para derrubar o presidente – o que não só o vice como os próprios militares que circulam entre os dois rechaçam.

Dois dos filhos do presidente alimentam essas teorias, como o deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) e o vereador do Rio de Janeiro Carlos Bolsonaro (Republicanos), que já fizeram críticas públicas a Mourão. O vice, por sua vez, já ironizou o Eduardo publicamente quando o parlamentar arrumou mais uma confusão diplomática com a China.

Seguro contra o impeachment

A interlocutores, Mourão relatou que não falou com o presidente após o episódio envolvendo o assessor exonerado. E que ficou chateado com o episódio porque já havia conversado com o presidente no final de dezembro a respeito das conspirações sobre impeachment.

Na conversa de 2020, em tom duro, Mourão colocou seu cargo de vice à disposição. Disse ao presidente não querer seu cargo, que era leal e que se o presidente quisesse, poderia ir embora no dia seguinte.

Mas ressaltou que ele, Mourão, era o “seguro” para que os “amigos do Centrão” não deflagrassem o impeachment. Na visão do vice – e também de políticos – parte da falta de empenho da classe política com um impeachment é por conta do fator Mourão. Se fosse um político, como Temer – avaliam parlamentares – haveria mais adesões.

Na conversa de dezembro, Mourão também disse ao presidente que, sempre que houvesse alguma dúvida sobre seu comportamento, Bolsonaro poderia ligar diretamente, para evitar telefone sem fio.

A relação não se estreitou. Pelo contrário. O próprio vice admite em conversas reservadas que “engole sapos” em nome do País, mas que está cansado com o tratamento do presidente e os bolsonaristas radicais.

Ao blog, militares da ativa e da reserva reforçam que Mourão, apesar das críticas de Bolsonaro, tem sido leal desde o início do mandato, e ficou irritado com a movimentação do seu assessor.

Esses militares também fazem elogios ao currículo de Mourão e reconhecem que o presidente fica irritado pois Mourão costuma ser elogiado por empresários e políticos em matérias de jornais e também nos bastidores como “mais preparado” do que o presidente. E Bolsonaro, como ele deixa claro, não gosta de ministros e assessores elogiados pela imprensa.

Sem clima

Na avaliação de líderes partidários, hoje não existe clima político no Congresso para o impeachment. O tema ainda tem como principal patrocinador a oposição e, por isso, o próprio presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), rebate críticas de que não abriu um processo apesar dos vários pedidos que tem sob sua mesa. Na avaliação de Maia, mesmo se abrisse, sem apelo popular e maioria no Congresso, Bolsonaro correria o risco de se fortalecer após o processo, como aconteceu com Donald Trump nos Estados Unidos.

Um experiente presidente de partido do Centrão costuma repetir que “ninguém tira presidente com 30%, 40% de aprovação e sem gente na rua”. E que Bolsonaro, hoje, se rendeu ao sistema político exatamente para sobreviver politicamente, mesmo que isso signifique abandonar suas bandeiras de campanha, como faz ao firmar um casamento com o Centrão.

Ocorre que líderes desses partidos, de forma reservada, costumam repetir também que um novo agravamento da pandemia pode “causar uma comoção maior do que a política”. E, aí, entre Bolsonaro e suas próprias sobrevivências, os deputados optariam pela segunda opção.

Por isso, acham um erro estratégico do Planalto acreditar que um deputado aliado na presidência da Câmara é garantia eterna para barrar impeachment. É uma garantia, mas não vitalícia: desde que o governo consiga se manter com um percentual de popularidade, sem protestos de rua e com a economia andando. Por isso, o governo busca também uma saída para renovar o Auxílio Emergencial, que garantiu apoio da população mais vulnerável ao presidente durante a pandemia em 2020.

Por Andréia Sadi

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