Justiça de MG analisa nesta quinta-feira recurso de família adotiva que não quer entregar filha à avó biológica

Está marcado para esta quinta-feira (25), a partir das 13h, o julgamento que vai decidir o destino de uma criança de 9 anos, adotada há cerca de 6, que hoje vive em Belo Horizonte e pode ser entregue à avó biológica a qualquer momento.

Em 20 de novembro, o Tribunal de Justiça de Minas decidiu em segunda instância que a garota seja entregue à avó paterna. A família adotiva, então, entrou com recurso, que deve ser analisado nesta quinta. Neste meio-tempo, a família se mobiliza para conseguir apoio e para sensibilizar os julgadores do caso.

Além de ter dado entrevistas a vários veículos de imprensa, a família também fez uma petição on-line que reuniu mais de 340 mil assinaturas e que será entregue ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Nesta quarta-feira (24), uma carreata circulou pelas ruas de Belo Horizonte, também para chamar a atenção para o caso.

Carreata em favor da adoção partiu da Praça do Papa em direção ao Tribunal de Justiça, no bairro Serra, na Região Centro-Sul de BH — Foto: Gláucio Nogueira / TV Globo
Foto: Gláucio Nogueira

O caso corre sob segredo de Justiça. A reportagem optou por não citar nomes para preservar a identidade da criança.

O julgamento estava marcado para o último dia 11, mas foi adiado a pedido da família adotiva, que tentava poder acompanhar a sessão, que será realizada por videoconferência. De acordo com a mãe, apenas os advogados poderão assistir à audiência, mas os defensores não poderão se manifestar.

“Está completamento oculto o que vai acontecer. Isso aumenta nossa ansiedade e nossa dor”, disse a reportagem nesta quarta.

Enquanto o julgamento não é realizado, a criança continua morando com o casal que a adotou.

De um lado, a família adotiva, representada pela advogada Larissa Jardim, disse que, na época dos trâmites para adoção, várias denúncias foram feitas contra a família biológica e esses seriam os motivos para que a criança fosse para o acolhimento.

De outro lado, está a avó paterna da criança, que propôs a ação de guarda em 2015. Em reportagem publicada no ano passado, ela contou que, mesmo no período em que a menina morava em um abrigo, nunca deixou de visitá-la.

A reportagem entrou em contato com a defesa da avó da criança nesta quarta-feira, mas o advogado preferiu não se manifestar.

Família luta pela guarda de criança de 9 anos, adotada há seis, em BH. — Foto: Arquivo pessoal

Por Raquel Freitas