13º salário leva as pessoas a se endividarem no começo do ano

Falta de planejamento financeiro aumenta demanda por crédito depois do Carnaval

Em tempos de crise econômica, sanitária, aumento da inflação e recessão, manter um planejamento financeiro é fundamental para evitar a inadimplência. Para trabalhadores do regime CLT e empregados domésticos que recebem o décimo terceiro salário, a organização das finanças pode salvar o endividamento comum que ocorre no começo do ano, quando as despesas como IPTU, IPVA e outras, chegam. Acontece que o 13º pode ser um respiro no final do ano, mas sem programação, pode se revelar uma grande armadilha.

“O fato é que as contas chegam. O ano que passou foi atípico, mas, normalmente, o trabalhador recebe o 13º salário, sai de férias e gasta mais no fim do ano, com a falsa sensação de que tem dinheiro. Acontece que em janeiro vem uma série de cobranças. Por isso, depois do carnaval, até os meses de abril e maio, é o momento de maior demanda de crédito no ano, pois a pessoa se vê com dívidas para pagar. Também aumenta a inadimplência e cresce a necessidade de crédito para quitar as pendências”, explica Victor Loyola, cofundador e sócio da ConsigaMais+, empresa de crédito consignado privado.

O empresário comenta que o ciclo do endividamento geralmente começa no 13º salário, quando se tem maior liquidez. Acontece que os gastos geralmente também são mais altos no período. É aí que, sem uma organização financeira adequada, chega-se aos primeiros meses do ano novo com mais dívidas. “Em novembro e dezembro é quando diminui a demanda por crédito. Mas aí chega fim do primeiro trimestre, início do segundo, e a demanda estoura”, completa.

Dentro do planejamento financeiro, uma das maneiras de resolver a questão é aumentar a receita ou cortar as despesas, ações que ficaram mais complexas neste período de pandemia. Por isso, o especialista orienta: “na maioria das vezes, é impossível cortar despesa, o que leva ao endividamento. Mas, então, como sair desse círculo vicioso? Não tem jeito, a resposta é gastar menos. Tem que gastar menos do que ganha e se organizar quando entra um dinheiro a mais, como acontece no fim do ano, para não passar aperto lá na frente”, finaliza Loyola.