Menina de seis anos torturada por mãe e madrasta em Porto Real, RJ continua internada em estado grave

Criança apresenta ‘hemorragia intracraniana inoperável e sério risco de vir a óbito ou permanecer em estado vegetativo’, diz Tribunal de Justiça.

A menina de seis anos que foi tortura por dias pela mãe e pela madrasta em Porto Real (RJ) continua internada. O quadro dela segue estável, mas é muito grave, segundo informações divulgadas na manhã desta quinta-feira (22) pela assessoria da prefeitura.

A criança está no Neovida, hospital particular da cidade vizinha Resende (RJ). Ainda de acordo com a assessoria da prefeitura, ela sofreu lesão neurológica grave na cabeça e está na UTI infantil.

Além disso, o risco de morte não está descartado. A menina apresenta “hemorragia intracraniana inoperável e sério risco de vir a óbito ou permanecer em estado vegetativo”, segundo documento publicado no site do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJ-RJ) na quarta-feira (21).

Na ocasião, a Justiça decretou a prisão preventiva da mãe e da madrasta da criança, suspeitas de torturarem-na no último fim de semana. A decisão foi tomada pelo juiz Marco Aurélio da Silva Adania na audiência de custódia realizada na quarta, com base na gravidade dos ferimentos sofridos pela menina.

Entenda o caso

Segundo a Polícia Civil, as agressões começaram na última sexta-feira (16) e seguiram até a madrugada de segunda (19), quando a criança “ficou agonizando até amanhecer” e a mãe resolveu chamar o Samu.

Ainda de acordo com a polícia, nesse período, a menina não foi devidamente alimentada, recebeu socos, empurrões, pisões, pontapés e sofreu lesões provocadas por um fio de TV, que foi usado como chicote. O fio foi apreendido como instrumento do crime.

Além de passar por tudo isso, ela foi jogada de uma altura de sete metros em um matagal.

Na segunda, a criança chegou no hospital municipal de Porto Real em estado gravíssimo. A mãe da menina e a companheira dela, de 27 e 25 anos, respectivamente, foram presas em flagrante por tortura depois que a equipe médica desconfiou da versão contada, com base nos ferimentos que a criança apresentava, e acionou as autoridades.

Local onde a menina foi jogada após ser agredida — Foto: Isabelle Magalhães/TV Rio Sul
Foto: Isabelle Magalhães

Agressões motivadas por ciúmes

De acordo com a polícia, a mãe da menina e a companheira confessaram o crime, que teria sido motivado por ciúmes.

“A companheira começou a sentir ciúmes da criança, o que foi piorando o relacionamento, até [chegar] agora às agressões”, contou o delegado titular de Porto Real, Marcelo Nunes Ribeiro.

“A mãe da criança alega que, por volta de outubro do ano passado, a companheira começou a sentir ciúmes da criança e começou a maltratar tanto a mãe como a criança. Começou a fazer algumas agressões contra a criança, no que veio a culminar, na última sexta-feira, a essa série de agressões”, acrescentou o delegado.

Sogra responde por omissão de socorro

A sogra da mãe da criança presenciou as agressões que ocorreram ao longo do fim de semana, mas não fez nada. Ela alega que foi ameaçada pela filha caso tentasse fazer algo para socorrer a criança.

A mulher, de 50 anos, foi autuada por omissão de socorro e responde em liberdade. Ela ainda deu detalhes das agressões que a menina sofreu.

“Minha filha já tinha bebido bastante álcool e falou [à companheira] assim: ‘se você não bater nela [a criança], eu vou bater’. Na hora que eu levantei pra falar ‘não’, minha filha falou: ‘não se mete’. Aí voltei pra trás. Ela pegou a menina e levou pra lá [pra fora da casa]. Aí jogou a menina lá no buraco, de uns sete metros. A mãe dela [criança] tentou segurar ela e caíram as duas. [Depois disso] Ela bateu, bateu e bateu na menina, aí trouxe a menina pra dentro [de casa]”, relatou a sogra.

“[Depois da agressão] Minha filha falou que ia deixar eu levar a menina pro hospital, mas não queria que eu contasse a verdade pro médico. A mãe da criança continuou mentindo para a polícia, dizendo que caiu um caibro na cabeça da criança”, completou.

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