Toninho Colucci diz que Doria age como general na pandemia; Estado afirma que Ilhabela não pode virar ‘ilha da morte’

Foco de resistência na região ao Plano SP, o Litoral Norte tem adotado duras críticas ao governo João Doria (PSDB). E se de um lado o prefeito Toninho Colucci (PSDB) classifica o governador como general, do outro, o Estado rebate em defesa de que Ilhabela não se torne “a ilha da morte”.

Hoje, das quatro cidades litorâneas da região, só Ubatuba não adota medidas mais flexíveis, em função de determinação judicial. Em Ilhabela, antes de qualquer aval, foram liberados restaurantes, salões de beleza, ambulantes e academias. O cenário foi semelhante em Caraguatatuba e São Sebastião, onde o comércio também pôde reabrir. Em entrevista a OVALE, Colucci questionou o fato do Plano SP fazer a análise conjunta das 39 cidades da RMVale. Para ele, é um erro.

“É uma divisão administrativa com cidades diferentes. O Litoral Norte é diferente do Vale do Paraíba que é diferente da Serra da Mantiqueira. Economicamente, o Litoral, principalmente Ilhabela, tem na economia só o turismo. Então, quando fecha, quando faz esse lockdown que o governador Doria gosta de fazer, ele breca 100% da economia do município”, afirmou.

CENÁRIO.

Ilhabela, segundo o prefeito, atingiu um cenário de “tranquilidade” por meio da adesão de estratégias eficazes, que incluem o monitoramento de todos os positivados diariamente, fornecimento de oxímetro, além de medidas como a ampliação da frota do transporte público. “Os nossos números são inclusive atestados pela Vigilância Sanitária do governo do Estado, sabem a situação de Ilhabela e das outras cidades do litoral. Como é que a gente pode ficar fechado se a nossa situação aqui é de tranquilidade? Então as pessoas vão deixar de morrer de Covid e vão morrer de fome”, disse.

“Não existe diálogo com o governo do Estado. O governador virou um general, ele dá ordens e não escuta ninguém”, disse.

Confira posição do secretário de Estado de Desenvolvimento Regional, Marco Vinholi, na íntegra:

Ilhabela não pode ser a ilha da morte

Nem mesmo as mais de 361,8 mil vidas que o Brasil já perdeu para a Covid-19 em um ano, sendo 37,5 mil delas apenas na primeira quinzena de abril, parecem sensibilizar o prefeito Toninho Colucci ou chamá-lo à responsabilidade inerente ao cargo que ocupa pela terceira vez em Ilhabela. Até a data de 15/4 (5ª feira), a cidade contabiliza 5.281 infectados e 32 mortes provocadas pela doença.

Nas últimas semanas, o País enterra diariamente de 3 mil a 4 mil brasileiros que perderam a batalha para a Covid-19; um cenário de guerra que faz com que o Governo de São Paulo tome duras decisões no enfrentamento à pandemia. Defender o isolamento social, controlar a circulação de pessoas e avançar na campanha de vacinação contra a doença são algumas das ações colocadas em prática pelo governador João Doria em defesa da vida.

O Estado, por sua vez, espera que os 645 municípios paulistas façam sua parte: ajudem a conscientizar a população e colaborem para a aplicação do Plano São Paulo, que tem o objetivo único de conter o avanço da contaminação e, consequentemente, frear o número de doentes, de internações e de óbitos. E isso pede mais do que disciplina por parte dos gestores: requer comprometimento e respeito à vida do próximo. Já as recentes atitudes do prefeito de Ilhabela, por outro lado, estão divorciadas da realidade.

O surgimento de novas cepas, por vezes mais contagiosas e agressivas do que as identificadas na já cruel primeira onda da pandemia no Brasil, fez com que houvesse indiscutível alta de casos e de mortes no primeiro trimestre de 2021. Não foi diferente em São Paulo – o que fez com que o Governo do Estado se mobilizasse no início do ano para abrir ainda mais leitos de Enfermaria e de Unidades de Terapia Intensiva (UTI).

Em 2021, o Sistema Único de Saúde (SUS) de São Paulo alcançou o triplo da sua capacidade de leitos de UTI, com direito a expansões apoiadas pelo Governo do Estado. Assim, foram ativados 6,1 mil novos leitos de UTI no decorrer da pandemia exclusivamente para atender pacientes graves com a doença. Em outra frente, o Plano São Paulo reprimia o contágio que crescia vertiginosamente desde janeiro deste ano.

A fase emergencial, a mais rígida decretada pelo Estado, fez com que alguns índices regredissem, permitindo o retorno à fase vermelha, válida desde 2ª feira (12 de abril). O cenário, contudo, ainda é muito sensível. Vidas ainda serão perdidas pelo caminho, o que significa que qualquer atitude contrária às regras preconizadas pelas autoridades sanitárias é arriscada.

De forma unilateral, o prefeito de Ilhabela resolveu desobedecer à reclassificação e liberou no último fim de semana a abertura de bares, restaurantes, quiosques, salões de beleza, barbearias e áreas comuns em hotéis. Pouco afeito à regra de competência, apesar de estar no terceiro mandato, o prefeito parece não ter conhecimento de que decretos estaduais se sobrepõem a leis editadas em âmbito municipal. Logo, o político erra. E, mais grave: coloca em risco a vida de outros, do povo que o elegeu e o qual ele deveria proteger.

Tudo fica ainda mais lamentável quando se trata de alguém que tem mestrado na área médica. A conduta é típica de quem flerta com o negacionismo e os maus exemplos do presidente Jair Bolsonaro em meio à maior tragédia sanitária dos últimos cem anos.

Por sua vez, o Governo do Estado tomou as medidas cabíveis. O Ministério Público (MP), inclusive, foi acionado. O diálogo com os municípios sempre estará aberto, cabe lembrar. No entanto, não há margem de tolerância com quem parece ser contra a vida. Afinal, os leitos de UTI que atendem pacientes de Covid-19 de Ilhabela e região estão com 97,5% de ocupação. A cidade não pode virar a ilha da morte, do caos, do colapso sanitário e da irresponsabilidade. Destino de uma viagem sem volta.

Por fim, é importante deixar consignado que o Centro de Contingência do Governo do Estado leva em conta indicadores epidemiológicos e de capacidade hospitalar no momento de definir a regressão ou a progressão de regiões no Plano São Paulo. Ao que parece, Colucci também se equivoca por desinformação.

Macaque in the trees

Por Thaís Leite

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