CPI: “Contenha a sanha”, diz senador governista ao presidente da comissão

Marcos Rogério veiculou áudio vazado de João Dória, o que causou irritação de Omar Aziz

CPI da Covid no Senado |Edilson Rodrigues/Agência Senado
Foto: Edilson Rodrigues/Agência Senado

A veiculação de um áudio do governador de São Paulo, João Doria (PSDB), feita pelo senador governista Marcos Rogério (DEM-RO) Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da pandemia causou estranheza na sessão desta 5ª feira (27.mai). Hoje, a CPI ouve o diretor do Instituto Butantan, Dimas Covas. No áudio, que já havia sido divulgado no documentário A Corrida das Vacinas, Doria discuste com Dimas Covas,sobre negociações com um empresário chinês.

O presidente da CPI, Omar Aziz (PSD-AM), mostrou irritação quanto as questionamento do senador Marcos Rogério e disse que o áudio mostrado expõe “a indignação do governador em querer vacinas, diferente de outros que não querem.”

Em resposta, o parlamentar disse para Aziz conter “a sua sanha [fúria]”. Por sua vez, o presidente disse “sanha é a tua mãe”. 

Áudio

No áudio mostrado no colegiado,  o governador de São Paulo bate na mesa em diversos momentos e reclama da demora de  negociações com um empresário chinês, afirmando que vai pegá-lo pelo pescoço. O encontrou ocorreu em 6 de novembro do ano passado. 

“Ele [empresário chinês] está falando com um cliente de R$ 2,5 bilhões! Só tem um cara que tá se expondo aqui: sou eu. Fundamentalmente, sou eu. Eu tô no primeiro plano dessa história. Publicamente. Ainda sofrendo ataque do Bolsonaro, bolsominion, bolso não sei do quê. Bando de malucos!”, ‘diz Doria em trecho do áudio mostrado na comissão.

Perguntado por Marcos Rogério se havia um lobista pressionando para a aquisição de vacinas, Covas alegou que o empresário citado na conversa era o vice-presidente da Sinovac. O parlamentar disse que o áudio demonstra que Doria está preocupado apenas com sua imagem pessoal. 

“Não ouvi falar em vidas, não ouvi falar na preocupação humanitária. [Doria] está preocupado com a imagem pessoal.”

Por Paulo Oliveira