Em Ilhabela, Prefeitura e Ibrafig lançam campanha para erradicar hepatite C

Com uma iniciativa inédita para acabar com os casos de hepatite C em Ilhabela, a Prefeitura e o Ibrafig (Instituto Brasileiro do Fígado) com a McCann Health Brasil) começaram a mapear a doença na população. O diagnóstico de cerca de 400 casos positivos no município faz com que a expectativa seja estimular a continuidade do mapeamento pela atenção primária à saúde e que todos sejam tratados na própria cidade, visto que a cura com os novos tratamentos é superior a 90%.

 Mas assim como a própria população de Ilhabela, as pessoas de outros municípios também podem se informar mais sobre a doença, locais de atendimento do SUS em sua região, bem como ter acompanhamento em todas as etapas de testagem e, se for o caso, tratamento, via central telefônica do IBRAFIG: 0800 8828222.  Tudo isso faz parte do projeto “A Ilha Desaparecida – Primeira ilha a sumir do mapa da hepatite C no Brasil”.

 Esse trabalho, chamado de microeliminação, visa mostrar, de forma prática, como erradicar o problema, e pode servir de exemplo para outros municípios brasileiros, aumentando consistentemente a escala de eliminação em todo o país. Atualmente, o vírus da hepatite C atinge aproximadamente 1 milhão de pessoas no Brasil. A infecção causada por ele é um dos principais problemas de saúde em todo o mundo, com uma estimativa de mais de 180 milhões de pessoas infectadas.

 A campanha faz parte de um projeto ainda maior: contribuir para a criação da cultura que conscientize a população dos riscos potenciais da doença e amplie a adesão à testagem voluntária, além da própria adoção, pelos profissionais de saúde, de medidas para aumentar o rastreamento e o tratamento. “Precisamos mapear a doença na região para estabelecer uma política de atendimento e tratamento para esses casos”, afirma a Secretária de Saúde, Lúcia Reale.

 Dr. Paulo Bittencourt, presidente do Ibrafig, órgão vinculado à Sociedade Brasileira de Hepatologia, lembra que o Brasil é um dos países que aderiu à proposta da OMS – Organização Mundial de Saúde para diminuir novos casos de infecção pelo vírus da hepatite C, o HCV, em 90%, e a mortalidade em 65% até 2030.  “O teste é o ponto crítico, pois o maior desafio hoje, no país, é a identificação de indivíduos infectados em diferentes regiões, sobretudo devido à característica assintomática da infecção”, afirma. Ele alerta que a população em geral, acima de 40 anos, sob maior risco de infecção pelo HCV, tem pouco conhecimento sobre os riscos potenciais da doença e baixa adesão à testagem voluntária. “O tratamento hoje é feito por meio de medicamentos que têm apresentado boa resposta, com cura acima de 90%”, afirma.

Para a Dra. Márcia Iasi, médica responsável pelo projeto, o diagnóstico é o primeiro passo para a cura, por isso a importância de uma campanha que tem a testagem como destaque. “Quando mapeamos as pessoas, unimos informação de qualidade aliada ao acesso, ou seja, deixando claro o que é a doença, as formas de prevenção e que todos os casos diagnosticados serão cuidados no município, e que o tratamento é bem tranquilo; com raros eventos adversos e alta taxa de cura, certamente teremos adesão da população a essa estratégia.” Ela ressalta, ainda, a importância do apoio das demais entidades para a eficiência do projeto. “Ter o apoio do IBRAFIG, da Sociedade Brasileira de Hepatologia e da Secretaria de Saúde só nos fortalece”, completa.

 Para esclarecer e mobilizar a população, a McCann Health Brasil, agência responsável pela idealização e pelo desenvolvimento da campanha, teve como foco a comunicação à testagem. “O intuito é mudar o curso da doença na ilha, tornando a cidade uma referência nacional no tratamento da hepatite C”, ressalta João Consorte, CEO da empresa. Para isso, foi criado o site www.hepatitezero.com, remetendo ao conceito de que a ilha vai zerar a hepatite C do seu mapa.

O conteúdo do site esclarece e informa os visitantes sobre todos os detalhes do projeto, os números da doença na região e no mundo, assim como permite que as pessoas acompanhem os status do processo de diagnóstico e tratamento. Para a realização desse trabalho, a ideia foi ir além da comunicação informativa. “Até mesmo pelo momento em que estamos vivendo, é preciso ajudar as pessoas a cuidarem melhor da própria saúde, não descuidarem da atenção com outras doenças e buscarem tratamento quando necessário”, comenta João, ressaltando a escolha criativa por uma campanha que fosse muito além da comunicação e, de fato, contribuísse para a mobilização e o tratamento das pessoas. “Até porque, quando se trata de saúde, não podemos deixar ninguém para trás”, conclui.

Por Radar Litoral