Prefeito de Ilhabela diz que Estado atrasa envio de doses e chama Doria de ‘mentiroso e criminoso’

Ele ameaça até entrar na Justiça contra o governo paulista; estado nega e diz que doses foram enviadas

Foto: Vinicius Fracchetta

O prefeito de Ilhabela, Toninho Colucci (PV), acusa o governo do estado de enviar doses insuficientes de vacinas contra a Covid-19 para a cidade do Litoral Norte e também para outras cidades da região. O político subiu o tom e chamou o governador João Doria (PSDB) de ‘mentiroso’ e ‘criminoso’.

“Estamos recebendo doses insuficientes da vacina para todas as faixas etárias. Por exemplo, para idade de 58 e 59 anos, que temos 4.275 pessoas, recebemos apenas 450 doses para Ilhabela”, disse, ressaltando que todas essas doses foram aplicadas.

“Para professores e funcionários da educação, são 1.000 profissionais, mas chegaram apenas 380 doses. A maioria vai ficar sem”, reclama Colucci.

“Como a gente vai  lidar com essa situação? O governo tem 3,5 milhões de doses de vacina estocada. Eles são apenas intermediários. O governador João Doria mente quando fala na televisão. Ele está sendo criminoso”, afirmou o prefeito de Ilhabela.

O prefeito disse ainda que tem mandado documentos ao estado diretamente da prefeitura e também via Codivap (Consórcio de Desenvolvimento Integrado do Vale do Paraíba, Serra da Mantiqueira e Litoral Norte).

“Se não resolver, vamos entrar na Justiça contra o estado. A nossa região do Vale do Paraíba é a mais prejudicada. O Doria não gosta da gente”, disse, elevando o tom.

Ainda nesta quinta-feira, a prefeitura de Canas, no Vale Histórico, anunciou que por falta de doses, a cidade não continuará a vacinação contra a Covid-19 no público de 50 a 59 anos sem comorbidades.

“Para a vacinação desta faixa-etária, o Governo Estadual enviou 100 doses da vacina, que foram aplicadas nas pessoas que compareceram nesta quarta-feira, primeiro dia da campanha de vacinação, na Unidade Básica de Saúde. Para prosseguir com a imunização deste público, Canas aguarda o recebimento de mais doses”, disse a prefeitura, em nota.

OUTRO LADO

Regiane de Paula, coordenadora do PEI (Plano Estadual de Imunização) contra Covid-19 e da Coordenadoria de Controle de Doenças de São Paulo, falou sobre o assunto a reportagem  e negou a acusação do prefeito. Segundo ela, o o Programa Estadual de Imunização segue criteriosamente seu planejamento e monitora a plataforma Vacivida. “Nós temos as doses enviadas a todos os municípios e as doses aplicadas por município. No caso específico de Ilhabela, nós enviamos 16.300 doses e temos até o momento registrado 14.000 doses. Portanto, há em estoque 2.300 doses a serem aplicadas no município, de acordo com as estratégias”, disse Regiane.

Ainda de acordo com a coordenadora, O PEI norteia e diz quais as estrategias devem ser seguidas. “Mas cabe a cada município que realmente quem vacina, utilizar das suas estratégias para que a vacinação seja feita e o registro nominal daqueles que foram vacinados sejam registrados. Os dados são do IBGE 2020 e o Ministério da Saúde nos manda as doses baseadas no Programa Nacional de Imunização e do IBGE 2020”, disse.

“Portanto, nós seguimos a risca aquilo que nos é repassado pelo quantitativo do Ministério da Saúde. Uma outra informação importante é que o estado de São Paulo não faz estoque de doses no seu centro de distribuição. Hoje, o Programa Estadual de Imunização, já enviou mais de 24 milhões para os 645 municípios e temos na plataforma Vacivida, o registro de 20 milhões de doses aplicadas. Portanto, temos ainda na rede, mais de 3 milhões de dose a serem aplicadas ou registradas na plataforma”, afirmou.

Ela também orienta os municípios a registrarem cada dose aplicada. “Esse monitoramento é feito diariamente para que nós possamos entender como está a aplicação de doses por município e o estoque que cada município por ventura tenha. Então, aos municípios, fica a recomendação: toda vacina que é colocada no braço, deve ser registrada, senão nós entenderemos como monitoramento, transparência e gestão, que há doses no municípios, a serem vacinadas”, finalizou.

Por O Vale