Witzel tem 15 dias para explicar falas na CPI questionadas por Flávio Bolsonaro, decide Justiça

Defesa do filho do presidente argumenta que ex-governador, que não citou nomes, cometeu crimes contra a honra do senador em falas sobre hospitais federais e caso Marielle.

Wilson Witzel prestou depoimento na CPI da Covid  (arquivo) — Foto: Reprodução/ TV Senado
 Foto: Reprodução/ TV Senado

A Justiça do Rio de Janeiro deu 15 dias para que o ex-governador Wilson Witzel se explique sobre afirmações que fez na CPI da Covid. Advogados de defesa do senador Flávio Bolsonaro (Patriotas) argumentam que, em duas falas, Witzel cometeu crimes contra a honra do senador.

A decisão desta segunda-feira (28), do juiz Ricardo Coronha Pinheiro, da 39ª Vara Criminal do Rio, foi antecipada pela colunista Bela Megale, de O Globo, e confirmada pela reportagem.

Protocolada na sexta-feira (25) passada, a peça dos advogados de defesa do senador – Luciana Pires, Rodrigo Roca, Juliana Bierrenbach – sustenta que as falas de Witzel podem ser tipificadas como calúnia, difamação e injúria.

O que disse Witzel à CPI

O primeiro ponto cobrado por Flávio diz respeito a uma afirmação de Witzel de que “os hospitais federais do Rio de Janeiro têm dono”. Depois, como apurou o comentarista Octavio Guedes, da GloboNews, Witzel teria dito a senadores que o dono era Flávio Bolsonaro.

Por essa razão, a defesa do senador pediu que a Justiça cobrasse explicações do ex-governador.

A outra frase contestada por Flávio foi a que Witzel fez menção à investigação sobre a morte da vereadora Marielle Franco. O ex-governador disse na CPI: “Não sou porteiro para ser intimidado”.

Em novembro de 2019, um porteiro do condomínio do Rio onde o presidente Jair Bolsonaro (sem partido), pai de Flávio, tem uma casa, voltou atrás em declaração dada à polícia no mês anterior.

Como o Jornal Nacional revelou na época, o porteiro disse em depoimento que em março de 2018, no dia do assassinato da vereadora e do motorista Anderson Gomes, um dos acusados do crime entrou no condomínio dizendo que ia para a casa de Jair Bolsonaro, que na época era deputado federal.

A defesa de Flávio classificou a fala de Witzel como “patética” e “lamentável”, e pediu à 39ª Vara Criminal que o ex-governador esclareça o que quis dizer.

A reportagen tentou entrar em contato com a defesa de Wilson Witzel.

Por Nicolás Satriano